Aznar mescla argentina e Brasil

A ligação do argentino Pedro Aznar com o Brasil vem de longa data. Ele já produziu dois ótimos álbuns do gaúcho Vitor Ramil (Tambong e Longes), gravou um álbum duplo só com canções brasileiras em 2005 (Aznar Canta Brasil) e foi gravado por Gal Costa. Músico de rock, ele também homenageou em parte de outro CD duplo, Quebrado, alguns ídolos do rock que o influenciaram na adolescência. Na apresentação que faz hoje dentro do festival Telefônica Sonidos, Aznar vai mesclar todas as suas facetas, incluindo a de autor de canções de sucesso no circuito latino-americano.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

"Em alguns casos eu traduzi para o espanhol canções que gravei em Aznar Canta Brasil. Gostaria de mostrar ao público brasileiro como é que ficou", diz o cantor em português fluente. "Vou cantar também várias canções de meu último disco de estúdio, Quebrado." Aznar também registrou em CD o show desse disco e daqui a cerca de um mês vai lançar outro CD ao vivo. "Esse foi gravado de um jeito diferente. Sou eu sozinho tocando todos os instrumentos, com uma quantidade de músicas diferentes, minhas e de outros autores que eu nunca tinha gravado."

Influências brasileiras. Para o álbum de canções brasileiras ele diz que também escolheu autores que foram "uma marca muito forte" para ele. "Quando eu estava crescendo musicalmente, experimentando coisas novas, Egberto Gismonti, por exemplo, foi para mim uma descoberta superimportante, um dos músicos que mais me tocaram na adolescência. Ele mudou a minha compreensão da música em geral. Tom Jobim, claro, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, todos eles me influenciaram de alguma forma."

No twitter de Jorge Vercillo há um encontro de Aznar com o compositor brasileiro (http://twitpic.com/2kmwdq) conversando e cantando a versão em espanhol de Me Transformo em Luar (Hoy la Luna Va a Espiar). Se ele estiver por aqui é possível que os dois a interpretem juntos ao vivo.

Aznar é uma das atrações do palco Jazz Latino, que, no fundo pouco tem do gênero - o festival, aliás, teve a capacidade de reunir algumas das cantoras brasileiras mais chatas da atualidade. Mas Aznar, que vai tocar hoje com seu quinteto, é versátil. Já trabalhou com Lenine, Chico César, Paulinho Moska, Kleiton & Kledir e vai dividir o microfone com a pastosa Maria Gadú em Lanterna dos Afogados (Herbert Vianna), que teve gravação marcante de Cássia Eller. Ele também já teve banda de rock e chegou a tocar na banda de Pat Metheny, nos anos 1980.

Apesar das ligações profundas com o Brasil, Aznar é pouco conhecido do grande público por aqui, mesmo problema de seu conterrâneo Fito Paez (atração de sexta do festival no Palco Urban). A questão é antiga, mas pertinente: é muito fácil para os músicos brasileiros serem aceitos na Argentina e países vizinhos do que o contrário. Aznar não acredita que a única barreira seja o idioma que o Brasil tem preguiça de aprender e aceitar. Isso além da insana rixa com os argentinos.

"Não sei se a língua é uma barreira tão forte assim. Talvez haja um pouco de preconceito. Já fui gravado por brasileiros e quando isso aconteceu foi uma combinação tão natural, trabalhar juntos foi uma coisa tão prazerosa, de um adivinhar o pensamento do outro, que é uma pena que isso não aconteça com mais frequência. Somos povos irmãos em muitos sentidos e seria bom que a barreira que fosse nesse sentido fosse derrubada, porque todo mundo sairia muito enriquecido com essa troca."

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