Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

'Avenida Brasil': um thriller em busca do público

Cadê os ricos de primeiro capítulo de novela? As mansões, os jatinhos, os barcos milionários, os copos de champanhe? Nada. Sinal dos tempos em que a TV Globo tenta compreender os anseios da tal nova classe C, copinhos de boteco com cerveja fazem o brinde.

Crítica: Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h09

É evidente o esforço de Avenida Brasil para se comunicar com a massa, mas a eficiência do autor João Emanuel Carneiro não faz disso um demérito, ao contrário: põe o público diante de um thriller eletrizante, com texto de qualidade. A direção geral, dos atores à iluminação, faz jus aos créditos de Ricardo Waddington e Amora Mautner. Difícil é mudar de canal.

Adriana Esteves, a megera da vez, dispensa a caricatura de HQ que vestia a Tereza Cristina de Christiane Torloni. A mulher decepa cabeça de boneca da enteada e posa de vítima quando o pai da menininha chega. Ele, Genésio, vem em pele de Tony Ramos. Ela, da estreante Mel Maia, que bem lembra a pequena Salete (Bruna Marquezini) de Mulheres Apaixonadas. Ver madrasta que faz criança chorar é de mexer com os instintos mais primitivos do espectador. Inha por inha, sua Carminha é parente de sangue da Sandrinha que explodiu o shopping de Torre de Babel, pelas mãos da mesma Adriana Esteves.

Se Carneiro demorou 30 capítulos para escancarar ao público quem realmente era Flora (Patrícia Pillar) em A Favorita, agora não levou dez minutos para denunciar o caráter de Carminha.

A menina consegue avisar o pai que a mulher lhe encomendara um assalto à porta do banco. A sequência engana ladrões e público, que veem motoqueiros levando a sacolinha nas mãos de Genésio. Alarme falso: o dinheiro não estava lá. Mas marido traído não se contenta em saber. Vai atrás, quer desmascarar, e acaba vítima da peste da Carminha, que num golpe digno de Nazaré (Renata Sorrah em Senhora do Destino), fere o marido em uma escadaria. Ele sangra, rola até o asfalto e é alcançado pelo carro do protagonista da trama, Tufão, ídolo do Flamengo, gente boa, que põe Murilo Benício em performance irrepreensível. Está feito o prenúncio do enlace entre o jogador e a má Carminha.

Novelão. É o que Avenida Brasil promete ser. Biscoito fino servido à massa, com exceção da abertura, a pior de todos os tempos já feitas pela Globo. Na tentativa de promover hit chiclete, gênero que gruda no ouvido, a emissora tropeça feio, do som às imagens, em edição medíocre. Pena.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.