Autorretrato geracional e em busca de diálogo

Pode ser mera coincidência, mas na sexta estarão entrando em cartaz três filmes brasileiros de um recorte especial. Com o de Charly Braun - leia entrevista ao lado -, os de Gustavo Pizzi (Riscado) e Felipe Bragança e Marina Meliande (A Fuga da Mulher Gorila). São todos independentes, autorais, mas feitos por novos diretores que não voltam as costas ao mercado. Entre o blockbuster e o radical cinema de autor, que despreza a contaminação do mercado, existe uma terceira via.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Charly Braun pode ter filmado nos cenários da sua infância e juventude, mas Além da Estrada não é autobiográfico - é geracional. O diretor queria falar de sua geração. Quem são esses jovens, o que querem? Charly sabia que queria trabalhar com Jill Mulleady, uma charmosa não profissional, na pele da protagonista. Buscou um ator. Quase escolheu um da Argentina, o filho do diretor franco-argentino Gaspar Noé. Mas não estava convencido. Terminou adotando um não profissional também como protagonista.

Esteban Jeune de Colombi é poeta, além de cinéfilo. Poliglota, foi aprovado pelo diretor num encontro prévio. Marcado o dia, Esteban chegou e já começou a filmar, e com as roupas que vestia. Boa parte do encanto de Além da Estrada vem justamente dessa maneira de integrar a estrada e os atores e personagens no mesmo movimento de descoberta. Charly sabia o geral - o que queria. Foi em busca do particular. O que as locações e o elenco poderiam lhe oferecer. O prêmio de direção no Rio coroa um trabalho simples, mas sofisticado, e com muita invenção.

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