Autores comemoram maior alcance de obras e diálogo com leitores

Desde fevereiro de 2012, o australiano Gavin Aung Than (foto) publica pelo menos um quadrinho por semana em seu site Zen Pencil (zenpencils.com). Com suas adaptações de citações de pessoas famosas, ele conseguiu audiência e virou notícia em jornais como o Washington Post. Sempre aberto a sugestões de leitores, diz estar no aguardo de e-mails de brasileiros com dicas de falas famosas em português.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h20

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

O modelo de quadrinhos online sempre foi compartilhar de graça, criar audiência e torcer por retorno financeiro no futuro. É assim que as coisas funcionam agora. Antes de tudo, é realmente necessário criar um público leitor e, para isso, é preciso conteúdo gratuito.

Como seleciona os textos que adapta?

A maioria das falas são enviadas pelos leitores. Não há qualquer método científico, pego uma que gosto ou que me faça pensar, rir ou chorar.

Você já adaptou algum texto vindo do Brasil?

Não, mas terei de fazer isso em breve! Preciso agradecer aos leitores brasileiros escolhendo a fala de um de seus famosos escritores e poetas para adaptar, sei que vocês têm vários.

Tem planos de transformar os quadrinhos em livro impresso?

Eu iria amar fazer uma coletânea um dia. Algumas editoras já demonstraram interesse, então vou manter os dedos cruzados.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

Tive algumas tiras publicadas em jornais e a única diferença é que eu precisava trabalhar com cores brilhantes para que elas saíssem 'ok' no papel barato de jornal. Na web, não há restrições de cores!

Com mais de 30 páginas disponíveis no Outros Quadrinhos, Planeta Ruiva é a primeira incursão de Eddie Pittman (foto) no mundo dos gibis virtuais. Além do trabalho na série Phineas e Ferb, ele possui sucessos da Disney no currículo, como Mulan (1998), Tarzan (1999) e Lilo & Stitch (2002). Segundo ele, a série disponível em português deve ganhar versão impressa nos EUA em 2014.

O que pensou quando foi convidado pelo Outros Quadrinhos?

Sou sempre cauteloso quando recebo e-mails com ideias e propostas de qualquer tipo. Na maioria das vezes, elas não têm a capacidade de levar adiante esses projetos. Mas, quando vi a lista de realizações dos dois e o lindo trabalho que haviam feito em algumas páginas de Planeta Ruiva, tive certeza de que era uma boa oportunidade.

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

É muito barato publicar na internet. Poderia ter feito à moda antiga: gastar anos escrevendo e desenhando depois do trabalho e nos finais de semana e arriscar a procura por uma editora disposta a publicar. Com a internet, tive audiência a partir do primeiro dia. Claro, não era grande, mas, com o tempo, alcançou 2 milhões de page views. Não acho que teria um público tão grande como um estreante.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

A diferença maior que encontrei foi a influência de uma "audiência ao vivo". Em mídias impressas e animações, há um enorme distanciamento entre o conceito e a versão final do trabalho. Em Phineas e Ferb, da ideia inicial ao episódio pode levar até um ano. A cada página que publico de Planeta Ruiva, já tenho resposta de leitores. Acho que é o mais próximo que um quadrinista pode ter de uma performance ao vivo.

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