Autor viu sua profissão como a de um missionário

Bernanos lia Léon Bloy - figura de destaque no catolicismo francês - nas trincheiras, onde foi ferido mais de uma vez na 1.ª Guerra. Como Bloy, ele também se considerava um missionário da escrita, alguém convocado por um chamado divino para dar seu testemunho de fé num mundo em crise espiritual. E isso incluía, para ele, tanto um ataque violento à ideologia da classe média francesa, feito em La Grande Peur des Bien-Pensants (O Grande Medo dos Bem-Pensantes,1931), como um libelo contra a ditadura de Franco em Les Grandes Cimitières sous La Lune (1938) - isso apesar de ser identificado como um direitista que apoiava o movimento Action Française e ser simpatizante dos monarquistas, simpatia pela qual pagou com a prisão.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2010 | 00h00

Nascido em Paris, em 1888, e estudante de um colégio jesuíta, Bernanos só não foi padre porque encontrou, aos 29 anos, Jeanne Talbert d"Arc, descendente direta de um irmão da santa guerreira. Com o fim da 1.ª Guerra, passou a trabalhar como corretor de seguros, profissão que exerceu até 1927, escrevendo nas horas vagas seu primeiro livro, Sob o Sol de Satã, antes de se dedicar à carreira de ensaísta e provocar seus pares, nos anos 1930, com polêmicos artigos em que pregava a restauração moral e uma espiritualidade baseada em princípios cristãos.

O escritor chegou à América do Sul em 1938 e se estabeleceu em Barbacena, Minas Gerais, onde tentou ser fazendeiro e criador de gado. No exílio, ele ridicularizou o governo colaboracionista de Vichy e, apoiando De Gaulle, foi convidado pelo general para fazer parte de seu governo. Ele voltou, mas não aceitou o convite para ser seu ministro da Educação. Continuou a escrever e a se corresponder com amigos brasileiros, entre os quais se destacam Jorge de Lima (1893-1953), tradutor de Sob o Sol de Satã, e Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima, 1893-1983). De volta à França, passou a escrever para jornais, entre eles Combat, dirigido por Albert Camus.

SOB O SOL DE SATÃ.

Editora: É. Tradutor: Jorge de Lima. 320 págs. R$ 53

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.