Autor segue tradição do jornalismo investigativo

Para escrever A Nova Novidade, Michael Lewis esteve na cola de Jim Clark durante um ano, freqüentando reuniões de negócios, festas e passeios do milionário. Viajou seis vezes para Amsterdã, onde estava sendo construído o veleiro Hyperion e participou de suas calamitosas viagens de inauguração - o mastro principal, da altura de um prédio de 19 andares, desabara e, na primeira travessia do Atlântico, o motor do barco desentendeu-se com os controles computadorizados e parou de funcionar.Continuador da tradição do jornalismo investigativo altamente pessoal na linha de Gay Talese e Tom Wolfe, entrevistou centenas de pessoas no Vale do Silício até se decidir pela figura de Jim Clark como o Gatsby da era da Nova Novidade - aquela que impusiona a economia com vigor cada vez maior, como o viciado que exige doses cada vez maiores.É um trabalhador ritual. Quando não conseguiu a permissão para o acesso pleno à rotina da vida do também milionário George Soros, Lewis devolveu à Editora Knopf o milhão de dólares que havia recebido de adiantamento pelos direitos autorais.Tanto quanto os personagens de seus livros, Michael é uma figura invulgar. Um de seus primeiros textos na revista New Republic, em 1993, rende polêmica até hoje. O artigo, que passou meio despercebido na época, tinha um título e conteúdo comprometedor - "A escola de jornalismo comeu meu cérebro" - e referia-se ao seu estágio na escola da jornalismo de Columbia, a mais famosa dos Estados Unidos. O artigo foi redescoberto recentemente, quando admitiram Lewis como professor visitante na escola de jornalismo da Universidade de Berkeley, na Califórnia. "Que posso dizer?", perguntou o diretor da escola, Orville Schell, em entrevista à revista on-line Salom. "Também acho que a maioria das escolas de jornalismo comeriam meu cérebro", concordou o diretor. "Eu, pessoalmente, não cursaria jornalismo", admitiu.Questionado sistematicamente sobre o assunto, Lewis já tem uma resposta pronta: "O artigo diz que é uma idiotice ir para uma escola de jornalismo e não que é uma idiotice ensinar nelas", responde ele, sempre com uma gargalhada.

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