Autor Peter Finlay vem disposto a conhecer o País

O mundo é como o Titanic: enquanto alguns dormem, outros passeiam,outros ainda trabalham e se alimentam, mas todos estão condenados acolidir com um grande iceberg. "Resta saber quando isso vai acontecer",comentou o escritor australiano Peter Warren Finlay, durante suaprimeira entrevista coletiva como um dos principais convidados da 12.ªBienal do Livro. "Estamos todos em um enorme navio que infelizmente éconduzido pelos comandantes para um triste fim."Ele criou a imagem ao constatar que o mundo enfrenta uma espécie demonopólio do poder, ou seja, poucos governam praticamente tudo. Asensação se acentuou com as recentes eleições inglesas, em que o partidotrabalhista de Tony Blair praticamente não enfrentou adversários.Finlay, no entanto, não tem o perfil clássico de um pessimista. Movido àcerveja, como ele próprio reconhece ("quanto mais bebo, mais respostasinteligentes sou capaz de dar"), ele é um autor que ostenta um dos maisimportantes prêmios literários do mundo, o Booker Prize de 2003. Foi como livro Vernon God Little, editado aqui pela Record. Mas quem o procurar pelo nome original, certamente não vai encontrar - Finlay adotou o pseudônimo de DBC (Dirty But Clean, ou seja, "sujo, porém limpo") Pierre com que assina a obra. Trata-se de uma profunda crítica à sociedade de consumo, especialmente a americana, que dita as regras para praticamente o mundo inteiro. "No livro, mostro que qualquer um, em qualquer lugar, pode conhecer a cultura americana simplesmente assistindo à TV", disse.Nascido na Austrália, ele foi criado no México, passou uma longatemporada nos Estados Unidos e hoje vive na Irlanda, de onde mantém umavisão atenta do mundo, especialmente depois dos atentados terroristas de11 de setembro de 2001. Aliás, como escreveu o livro antes desse fato,Pierre acredita que certamente não faria o mesmo agora. "Talvez seriamais uma obra mais cáustica, pois, nesses poucos anos de separação, omundo sofreu mudanças radicais, comprovando que estamos realmentevivendo em um novo século." Embora tenha enfrentado uma árdua viagem,que durou aproximadamente 24 horas entre trechos percorridos por ônibus,trem e carro, Pierre está disposto a conhecer com mais profundidade acultura brasileira. "No exterior, só recebemos alguns flashes, como amúsica de Astrid Gilberto ou Tom Jobim, o samba ou, no máximo, clássicoscomo Dom Casmurro, de Machado de Assis. Pretendo descobrir mais coisas", disse ele, interessado em ler obras que tratem tanto do crime organizado como a mais recente produção brasileira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.