Autor joga com a morte para provocar

Os textos de Edward Albee não costumam ser fáceis. Desde que surgiu, no fim dos anos 1950, as peças do norte-americano resvalam inevitavelmente no absurdo. Flertam descaradamente com a morte. Teimam em arrancar o público de qualquer zona de conforto. Não é diferente com A Senhora de Dubuque, peça que estreou há exatamente 31 anos em Nova York e merece sua primeira montagem no Brasil a partir deste sábado.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

Acometida por alguma doença grave, uma jovem está prestes a morrer. Logo depois de uma noite de agonia, recebe a visita de uma mulher enigmática, que afirma ser sua mãe. Mas algo parece estar fora de lugar. Em linhas gerais, esse é o enredo do espetáculo que tem direção do ator Leonardo Medeiros e traz Alessandra Negrini para contracenar com Karin Rodrigues.

"São as identidades que estão em jogo aqui", comenta Karin. "Muitos acham que ela é de fato a mãe. Outros acreditam que ela seja a morte. Mas não existe uma resposta única nem uma interpretação pronta a ser entregue."

Para tornar ainda mais penosa a vida do espectador, Albee começa a peça tingindo-a de tintas naturalistas. Abre a cena com uma pequena festa entre amigos, sinaliza discussões corriqueiras, conflitos tradicionais.

É só quando tem a plateia bem segura de estar assistindo a uma peça convencional, que o autor subverte a estrutura do drama e instaura uma lógica própria.

O segundo ato é marcado pela chegada de Elizabeth, a tal senhora misteriosa, que chega acompanhada de um estranho amigo, para socorrer a filha enferma. "Não é uma mulher banal. Interpretá-la é atingir quase um estado de espírito. Uma coisa metafísica", define a protagonista.

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