Autor enumera erros em <i>Cidadão Brasileiro</i>, que acaba hoje

Mudança constante de horário, troca de diretores, falta de estrutura. Não foram poucos os problemas enfrentados por Lauro César Muniz em sua estréia na Record, com Cidadão Brasileiro, que chega ao fim nesta segunda-feira. Para o autor, que trocou a Globo pela rede da Barra Funda, houve um esforço da nova casa para colocar sua audaciosa história no ar, mas o desafio era maior do que a Record esperava. "Houve erros básicos, no início, que comprometeram todo o processo. Implantação equivocada com tom indefinido, erros técnicos elementares (iluminação, cenografia, figurinos), despreparo do diretor responsável, que foi substituído já com dois meses de novela no ar", reclama Lauro César. "Depois, Ivan Zettel (diretor) assumiu a novela e tentou corrigir os erros, mas já havia um tom contraditório em vários núcleos da trama. Conseguiu melhorar a parte técnica, mas não contava com colaboradores à sua altura. O elenco principal também era muito bom, mas a emissora não estava preparada para um projeto tão complexo." O autor conta que a trama também enfrentou problemas com as locações, que deveriam ser ambientadas em 1958, 1968, 1975 e 78, mas acabaram limitando a ação da novela às gravações em estúdios. No entanto, o que mais desagradou a Lauro César foram as constantes mudanças de horário do folhetim. "A novela estreou às 20h15 e inicialmente oscilou entre esse horário e 21 horas, sem nunca se fixar. Depois passou para as 21h15, foi para as 22 horas, onde cumpriu apenas dois capítulos, passando para as 22h25, 22h30, não sendo exibida às quartas por causa do futebol", enumera o autor. "Isso desnorteou os telespectadores, que tiveram de perseguir a novela, sem a divulgação adequada para tantas alterações", continua. "A audiência se ressentiu." Com o ibope na casa dos 15 pontos em sua estréia, a trama acabou se estabilizando na faixa dos 10 pontos em sua reta final, uma boa média para uma novela que trocou tantas vezes de horário. "Quis fugir dos padrões impostos hoje, do maniqueísmo exagerado, retomando um tipo de narrativa mais ambiciosa das décadas de 70 e 80", explica ele. "Mas, o que sentia era que Cidadão não era uma novela que, por sua proposta temática, agradasse à cúpula dirigente da emissora", conta o autor, que tempos atrás falou com a direção da Record sobre a possibilidade de fazer uma minissérie sobre a vida de Castro Alves. A Record acena com a possibilidade de tocar a idéia até 2008, quando vence o contrato de Lauro César com a casa.

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