Autor do livro Cidade de Deus justifica seqüestro e assassinato

Em explosiva entrevista à edição de maio da revista Caros Amigos, que vai para as bancas nesta segunda-feira, Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, de onde nasceu o filme, diz que acha certo quem não tem dinheiro seqüestrar e matar. É a entrevista de um homem revoltado. Um estimulo à violência, em alguns momentos. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.Sobre um recente ataque de possíveis bandidos a dois hotéis de luxo do Rio, Lins afirma: ?Atiraram agora em mais dois hotéis, no Glória e no Méridien. Aí ví uma entrevista do chefe da rede de hotelaria dizendo que o Rio de Janeiro perdeu 30 milhões porque ia ter um congresso da ONU aqui. Perdeu 30 milhões. Mas quem perdeu? Para onde ia esse dinheiro? Pro favelado? Não ia. Então, meu amigo, nego está revoltado, e acho que é de direito o sujeito pegar e seqüestrar. A situação que o sujeito vive, que passa fome, é de direito o cara dar tiro. No Rio tem menos, em São Paulo tem mais, muita gente que aparece com carrão importado."Pergunta: - Você acha que é de direito roubar quem tem? ? Acho. Pergunta: - E matar? ? Acho. Estou falando uma coisa politicamente incorreta. Vagabundo vai cair em cima de mim, e eu sei disso. E não vou responder. Mas é assim. Vai no hospital! A minha mãe morreu por falta de atendimento médico. Ela ia no hospital e marcava. Dois anos depois, morreu do coração. Eles davam aquele remedião e ficava dois minutos e pronto. Não tem assistência médica, não tem comida, não tem dignidade nenhuma, não tem casa, não tem nada.

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