Autor de Nárnia era amigo de Tolkien

Quando estudava em Oxford, nos anos 1930, o irlandês Clive Staples Lewis (1898-1963) travava divertidas conversas sobre mundos fantasiosos com um colega seis anos mais velho, o sul-africano John Ronald Reuel Tolkien. Anos depois, ambos tornaram-se famosos por levar ao papel suas imaginativas criações. Se Tolkien providenciou uma gramática e geografia próprias para O Senhor dos Anéis, Lewis não evitou um caráter cristão às suas histórias. E a figura mais notável é a do leão Aslam, cuja missão em Nárnia é derrotar a Feiticeira Branca à custa da própria vida. Como o Cristo, também ele ressuscita e ainda comanda o exército até a vitória. Produzido com refinada técnica de computação gráfica, o animal é dublado no original pelo ator Liam Neeson - no Brasil, a voz é de Paulo Goulart. O tom cristão da história rodeou as histórias de Nárnia desde sua publicação, a partir da década de 1940, até que, nesta semana, foi divulgada uma carta que Lewis escreveu, em 1961, para um fã. "Toda a história de Nárnia é sobre Cristo", afirmou o escritor, segundo descoberta do pesquisador Walter Hooper. O anúncio lançou mais lenha na fogueira. Defensores da subliminar mensagem cristã (entre eles, os produtores do filme) promovem tal aspecto do longa, enquanto os demais garantem que não passa de um longa de aventuras. Entre eles, destaca-se Douglas Gresham, enteado de Lewis: "Para mim, não há nenhuma indicação desse lado cristão", afirmou. Controvérsias à parte, a chegada do filme incentivou a publicação de uma série de livros sobre o mundo de Nárnia. Os originais são editados pela Martins Fontes, que uniu as sete histórias em um só volume, As Crônicas de Nárnia (752 págs., R$ 85), cuja primeira edição de 5 mil exemplares se esgotou em menos de um mês. Traduzida em 29 idiomas, a obra já vendeu 85 milhões de cópias em todo o mundo. Já a Novo Século lançou Manual Prático de Nárnia (272 págs., R$ 30), em que Colin Duriez descreve a paisagem e os habitantes do mundo imaginário.

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