Autor da canção <i>Stella</i> homenegeia Tim Maia com livro

Foi um pôster pregado na parede da sala da casa de Fábio - com a estampa de uma mulher nua à beira do mar - que inspirou Tim Maia a compor a bela canção Azul da Cor do Mar. O cantor, no auge do seu sucesso com a música Stella, era quem convidava o mestre do soul à brasileira para abrir seus shows. Ao fim de cada apresentação, Fábio levava Tim para uma reuniãozinha ´particular´ em seu apartamento na Rua Souza Lima, em Copacabana. Muitas garotas disponíveis para Fábio. Nenhuma para Tim. Eis a sua fonte para a criação de diversas obras-primas. Os momentos de solidão recorrentes vividos por Sebastião Rodrigues Maia, nos seus últimos 30 anos de vida, convividos de forma muito estreita com seu amigo Fábio, foram detalhados no livro Até Parece Que Foi Sonho (Matrix), escrito pelo jornalista Achel Tinoco a partir de depoimentos de Fábio. "Não tive nenhuma intenção de escrever uma autobiografia. São apenas momentos que vivenciei com Tim, uma personalidade grande em todos os sentidos", conta Fábio, que não precisa datas, mas memórias. O cantor de 61 anos que vive na Praia Pedra do Sal, em Salvador, chegou a ser rechaçado por um jornalista do Rio, que o julgou oportunista. "Tenho certeza de que se Tim estivesse vivo daria boas gargalhadas com o livro", rebate despretensiosamente. Fábio foi até mesmo entrevistado por Nelson Motta, que ensaia, de fato, uma biografia sobre o compositor há alguns bons anos e tem o título provisório de Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, obra que já conta com cerca de 500 páginas e está prevista para ser lançada no próximo semestre (pode até coincidir com o aniversário de Tim, em 28 de setembro, quando faria 65 anos). O cantor e compositor Ivan Lins, que ao encontrar com amigos de Tim Maia sempre perguntava qual tinha sido a última do gordo, foi quem mais incentivou Fábio a escrever um livro contando todas as suas histórias com o compositor que começou a carreira aos 15 anos, ao lado de Roberto e Erasmo Carlos no conjunto The Sputniks. "Só em 2003 decidi começar a pôr tudo num livro." O paraguaio João Zenón Rolón, que veio parar no Brasil aos 16 anos, fugitivo de uma ditadura ferrenha em seu país, adotou o nome Fábio assim que assinou o seu primeiro contato com a TV Tupi e com a gravadora RCA Victor, atual Sony BMG. Por causa do eco produzido no fim do refrão da canção Stella, Fábio foi convidado a produzir aquelas famosas vinhetas da Rádio Globo ("Corinthiaaans, Fluminenseee...") que até hoje ouvimos na emissora. Nunca ganhou um tostão por isso. E também não demorou muito para que Tim trocasse seu nome artístico cuidadosamente escolhido por... Fabiano. Assim o chamou até a última vez em que se encontraram. Histórias literalmente alucinantes do artista, que só embarcava em avião ?calibrado? e experimentou LSD na década de 70 - segundo o próprio contou para a Playboy em julho de 1991, entrou para a seita Universo em Desencanto por excesso da droga (e também porque "queria virar santo e fazer uma parceria com São Francisco de Assis") -, dão voz ao mago carioca que encantou platéias pobres e ricas por todo o País. Aliás, a Cultura Racional, que se traduziu em um dos momentos musicais mais férteis de Tim Maia, infernizou também a banda e os amigos mais próximos durante 4 anos. "O Tim nos presenteou com todos os 30 volumes que compunham a ?obra?. Antes de cada show, ele queria saber quanto havíamos evoluído nos estudos da seita. Eu não passei da página 9", relembra Fábio às gargalhadas.

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