Autodidatas conquistam espaço entre restauradores

É muito comum encontrar restaurador que não tenha feito um único curso ou especialização. E nem por isso, eles produzem um trabalho inferior. É o caso do advogado Marcelo de Almeida que restaura disco de vinil, acetato de celulose, zinco e até papel e o do artista plástico Weligton Olmar.Almeida confessa ter aprendido o ofício experimentando com discos repetidos de um mesmo autor ou com um material sem valor. Então começou a ganhar dinheiro. "Cheguei a pensar que essa seria minha profissão." Almeida recebia encomendas de vários colecionadores, cerca de 50 por semana. A maioria reclama de riscos ou sujeira, como o bolor. Dentro de seu laboratório, conseguia recuperar discos despedaçados e com furos. "Até 1 cm dá para recuperar" .Mas todo seu trabalho foi rendido pela criação do CD e a proliferação do MP3. Hoje, Almeida só aceita alguns trabalhos e tem o restauro apenas como um hobby. Como além de conservador é também colecionador de obras raras, gravadas em 78 rotações, só aceita restauração de disco que não tenha sido reproduzido em CD. "Neste casos, aproveito o trabalho para conhecer o músico."Weligton Olmar também se encaixa no perfil dos autodidatas bem resolvidos. Ele chegou a trabalhar na construção civil, como corretor de imóveis para pagar cursos de pintura e cerâmica.Mas sua carreira iria se firmar com a ajuda do frei Pedro da igreja paulista de São Francisco, que pediu sua ajuda para manter o acervo da instituição. Weligton também se motivou a abri um ateliê para recuperar obras de marfim, cerâmica, madeira e policromia. "Está sendo muito válido para mim e estou vendo resultado até mesmo no meu trabalho de criação".Segundo Welington, a polêmica com o trabalho dos restauradores será solucionada com a divulgação e a importância em preservar o patrimônio publico. "Meu trabalho e fazer com que a peça dure mais uns 200 anos e nunca aconteceu do cliente não gostar". Já restaurou cerca de 2 mil peças.

Agencia Estado,

07 de julho de 2000 | 23h58

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.