Áustria devolverá mais obras de arte roubadas pelos nazistas

A Áustria vai endurecer as exigências derestituição de obras de arte confiscadas durante o períodonazista, disse o governo na quarta-feira, após críticas vindasda comunidade judaica. A ministra da Cultura, Claudia Schmied, disse que a isençãoconcedida às fundações privadas -- que eximiu o Museu Leopold,de Viena, da obrigação de devolver obras -- será revista. "Quero uma decisão clara em torno da questão da restituiçãoenvolvendo a Fundação Leopold", disse ela. "A discussão mantidanas últimas semanas não beneficiou a reputação da república, eespecialmente não a da Fundação Leopold." Schmied pediu que a fundação autorize uma auditoriaabrangente sobre a origem de todo o acervo do museu. Durante o governo nazista na Alemanha e países vizinhos, osbens pertencentes a judeus eram confiscados regularmente. A discussão voltou à tona depois de o líder da comunidadejudaica austríaca, Ariel Muzicant, ter declarado em entrevistaconcedida à TV em fevereiro que o Museu Leopold deveria serfechado até as leis serem modificadas. Uma das maiores atrações turísticas de Viena, o museu éclassificado como fundação privada, apesar de ser financiadocom dinheiro público. Além disso, o governo vai pedir a devolução de obrasconfiscadas entre 1933, quando Hitler subiu ao poder naAlemanha, e 1945, ano da derrota da Alemanha nazista. A lei atual cobre apenas o período entre 1938, quando aÁustria foi anexada pela Alemanha nazista, e 1945. Antes da guerra, a comunidade judaica austríaca tinha 200mil integrantes e era uma das mais dinâmicas da Europa. Muitosjudeus fugiram, e 65 mil foram mortos em "pogroms" ou campos deconcentração nazistas. Apenas 10 mil judeus vivem na Áustriahoje. Pelas leis atuais, milhares de obras de arte já foramdevolvidas a seus donos originais ou aos herdeiros deles. Nãoestá claro até que ponto as mudanças anunciadas na quarta-feiravão aumentar as devoluções. A pesquisadora de arte Sophie Lillie disse à Reuters que otrabalho mais importante em jogo nessa discussão é "Haueser amMeer" (Casas à Beira-Mar), do expressionista do século 20 EgonSchiele. O quadro, que segundo uma avaliação vale 15 milhões dedólares, foi tomado pelos nazistas em 1938, e sua propriedade éreivindicada por uma família britânica. De acordo com o semanário cultural Falter, no mês passado,Rudolf Leopold, 83 anos, fundador da coleção Leopold eespecialista em Egon Schiele, teria se recusado a devolver atela. "Nunca extorqui ninguém nem comprei nada que soubesse tersido propriedade de judeus", disse ele.

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