Áustria abre mostra sobre perseguição nazista na Ópera de Viena

A Áustria inaugurou nesta segunda-feirauma exposição que mostra como empregados judeus da ÓperaEstatal de Viena foram alvo de expurgos durante o período degoverno nazista no país. A mostra é parte das cerimônias querelembram a anexação da Áustria pela Alemanha comandada porAdolf Hitler, 70 anos atrás. A Ópera Estatal de Viena é um dos focos dos sentimentos deculpa da Áustria do pós-Segunda Guerra Mundial pelo fato de teraceitado rapidamente o comando dos nazistas e, após o fim doconflito, reincorporado poucos dos funcionários perseguidosdurante o Terceiro Reich. A exposição na ornamentada sede da Ópera de Viena, quetanto na época da guerra como hoje constitui parte importanteda vida vienense, detalha o destino de 92 integrantes dacompanhia -- muitos deles, judeus -- que foram excluídos,perseguidos ou assassinados depois da anexação (ou "Anschluss",a palavra alemã que designa a incorporação da Áustria pelaAlemanha em 1938). "A Ópera é uma das instituições prontas para enfrentar seupassado, mesmo se isso às vezes for doloroso", disse ochanceler (primeiro-ministro) Alfred Gusenbauer, ao abrir amostra. "Infelizmente, atitudes como esta ainda são exceção naÁustria de 2008." A mostra inclui documentos recém-descobertos e reveladetalhes horripilantes de como a administração rompeu osvínculos com artistas, frequentemente judeus, consideradosinaceitáveis pelos nazistas, As imagens das tropas alemãs sendo recebidas comosalvadoras quando entraram no país, em 12 de março de 1938,ainda assustam muitos austríacos. Por muito tempo, os austríacos procuraram apresentar-secomo vítimas do nazismo. Mas o reconhecimento da cumplicidadecom o nazismo e gestos de reparação aumentaram depois que nosanos 1980 se descobriu que o então presidente do país, KurtWaldheim, escondeu seu passado como membro de uma corporaçãonazista. Na Áustria viviam cerca de 200.000 judeus na época doAnschluss. Muitos fugiram, mas cerca de um terço morreu durantea guerra. Atualmente há apenas cerca de 10.000 judeus no país.

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