Australianos dançam em esferas

Em The Spheres sete atores/bailarinos ficam pendurados em hastes flexíveis de fibra de vidro de 4,5 metros de altura. Os atores se movimentam sobre as esferas que, dependendo da iluminação, se transformam em átomos, ovos, planetas ou corpos. Os sete interpretam arquétipos: o bobo, o amante, o preguiçoso, a caçadora, a princesa, a rainha má e, no centro de todos, a criança. Mesmo com o tempo chuvoso, o espetáculo do grupo australiano Strange Fruit que reuniu cerca de 350 pessoas, nas noites de quarta e quinta-feira, no Vale do Anhangabaú. Trata-se do mesmo grupo que apresentou em julho no mesmo local, o espetáculo The Field, que foi uma das principais atrações do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto na mesma época. A presentação de agora faz parte da Mostra Sesc de Artes, que reúne artistas de 15 países, com eventos em todas as sedes do Sesc e em espaços públicos de São Paulo, até o dia 10 de novembro. Segundo o ator David Burrows, o espetáculo não tem uma história definida. "É uma sugestão de história", diz. "A evolução faz lembrar os contos de fadas." A iluminação especial, que projeta imagens nas esferas, e a música, criada pelo compositor australiano John Phillips, criam uma atmosfera mágica e determinam a movimentação dos artistas. Enquanto eles executam a coreografia, presos nas hastes apenas pelas coxas, balançando para todos os lados e mergulhando no ar, interpretam situações de medo e de alegria e interagem com o público.Quando um espectador se aproximou demais dos atores, batendo palmas, foi retirado do local por um segurança. A cena aconteceu em frente a um dos personagens, que mostrou, com gestos, que gostaria que o "intruso" continuasse ali. O espetáculo não usa palavras. A forte comunicação se dá através da expressão corporal e da música. Burrows explica que sem palavras o show se desenvolve melhor. "Assim podemos ir aos cinco continentes. A linguagem física é universal." O ator também ressalta a vantagem de fazer um espetáculo de rua: "A gente fala a todo mundo. Sem ingresso, é tudo mais democrático."A forma de trabalho do Strange Fruit, que existe há oito anos, foi idealizada pelo diretor artístico do grupo, Roderick Poole. Vendo um campo de trigo ao vento, ele imaginou que colocar pessoas nas pontas de hastes, como as do trigo, seria uma idéia interessante. Nem todos do grupo têm formação em teatro: uns são atores, outros dançarinos e alguns ainda eram artistas de circo. O grupo é formado por 20 pessoas que se revezam na apresentação de dois espetáculos. Enquanto uma parte deles está no Brasil apresentando The Spheres, os outros viajam com The Field. O Strange Fruit se apresenta para cerca de cem mil pessoas por ano. Esta é a primeira vez que Burrows vem ao Brasil. Ele já viajou por 17 países dos cinco continentes e diz que o público latino-americano é o mais animado. "Não somos tão famosos na Austrália quanto no resto do mundo." A trupe é a única a fazer este tipo de trabalho. O ator conta que um grupo alemão já tentou imitá-los. "Mas não deu certo. Eles usaram hastes de metal e não balançavam direito."O grupo deve começar a ensaiar um novo espetáculo em março, com base em idéias de esculturas e paisagens. Sob a direção de Roderick Poole, os atores passam cerca de dez semanas para criar um novo projeto. "Mas o espetáculo muda constantemente. O The Spheres que apresentamos pela primeira vez na Venezuela, há dois anos, é muito diferente deste que estamos trazendo para o Brasil", diz Burrows. Serviço - The Spheres. Sábado, às 20 horas, Sesc Ipiranga, no Parque da Independência (Rua Bom Pastor, 822 - tel: 3340-2000); Terça e Quarta-feira, às 20h30, no Sesc Santo André (Rua Tamarutaca, 302 - tel: 4469-1200)

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