Austrália desembarca em SP na terça

A abertura nada solene do 6.ºCultura Inglesa Festival, que este ano se volta para a cultura australiana, será na terça-feira, às 17 horas,com a "inauguração" do Urban Dream Capsule, performance de quatro atores que passarão vários dias fechados numa "casa de vidro" em plena avenida Paulista (leia mais nos links abaixo). O diretor NeilThomas faz segredo do "ritual" que prepara para marcar suaentrada na casa-vitrine, mas afirma que será criadoespecialmente para o Brasil. Haverá, porém, outra cerimônia, na mesmanoite, no Centro Brasileiro Britânico, com abertura dasexposições e jantar para convidados. "Os australianos sãoinformais como os brasileiros, por isso não será uma aberturasolene", avisa o curador Richard Stevens. Experimentar a culinária australiana não será privilégiorestrito aos convidados para o jantar de abertura. Durante trêssemanas, até o encerramento do festival no dia 28, o públicopoderá saborear um cardápio tipicamente australiano e degustaros vinhos do país no Restaurante The Bridge ou no Pub Poet´sCorner, ambos localizados no Centro Britânico Brasileiro, emPinheiros. "Não se trata exatamente de comida típicaaustraliana, mas de um cozinha eclética, internacional,influenciada principalmente pela migração asiática." Mas oforte está mesmo na carta de vinhos. "A Grã-Bretanha, como sesabe, não tem clima, só mau tempo, e as uvas não gostam disso.Por isso sempre foi grande importadora de vinhos, principalmenteda França. Ano passado, pela primeira vez, a exportação devinhos australianos superou os de origem francesa", afirmaStevens. Se o objetivo do festival é trazer um pouco da Austráliaao Brasil, nada melhor do que uma peça teatral que revele oscostumes, a cultura, o modo de pensar de pessoas comuns. É o quepromete a peça Face to Face, que será apresentada a partirde domingo, no Teatro Cultura Inglesa de Pinheiros. O texto é deautoria de David Williamson, elogiado em seu país exatamentepela capacidade de "captar o estilo de vida e a personalidadedos australianos". Nesse espetáculo, o público se sentirádentro de um Tribunal de Pequenas Causas e, aos poucos, vaidescobrir a grandeza humana por trás do aparentemente pequenodrama de um operário. Dirigida por Sandra Bates, do Ensemble Theatre de Sydney, a peça tem como ponto de partida uma acusação contra um jovemoperário vivido pelo ator Luke Hewitt, que é acusado de terdestruído a Mercedes-Benz do patrão após ter sido demitido.Diante do tribunal comparecem sua mãe, seu melhor amigo, colegasde trabalho e o seu ganancioso patrão com sua mulher. Desempregoe intransigência do sistema penal estão entre os temasexplorados, de forma a mostrar a complexidade de relações evalores que podem estar por trás de uma aparente e banalvingança. Um assunto nada estranho aos brasileiros, a corrupção nofutebol, é tema de outra peça do australiano Williamson, OClube, que será apresentada em português, a partir do dia 17no Auditório Cultura Inglesa de Higienópolis. O cenário é a salade reuniões da diretoria de um clube esportivo que há anos nãoganha um título. As seguidas derrotas obrigam o clube a aceitarum dirigente endinheirado, que investe no clube, mas age como umditador. As disputas de poder entre os cartolas, o jogador"mascarado" que só pensa em dinheiro, a estrela intocável, otreinador execrado pela torcida são alguns dos personagens dapeça, cuja montagem brasileira terá direção de Albano Sargaço. Também não é desconhecida no Brasil a autora da peçaRedemption que estréia no dia 18 no Teatro Alfa. JoannaMurray-Smith assina o texto de Honra, cuja montagembrasileira foi protagonizada por Regina Duarte. "Redemption é uma peça simples na medida em que tem apenas duas pessoas nopalco. Mas estimulante porque envolve um intrigante mistério. Éuma peça policial no estilo - quem será o criminoso? - cheia depistas falsas. A gente não sabe exatamente quem são aquelas duaspessoas, qual a sua relação, serão amantes ou irmãos até que, nofim, tudo se esclarece." As crianças não foram esquecidas na programação. Omúsico, compositor e multiinstrumentista Linsey Pollakinterpreta uma espécie de inventor maluco, no estilo doprofessor Pardal, na performance The Art of Food,apresentada a partir do dia 11 no Teatro Alfa. Sem uma únicapalavra, ele diverte o público criando instrumentos musicaisfeitos de legumes e frutas, durante o espetáculo, com auxílio deuma furadeira. E quem já viu o ótimo espetáculo Bichos doBrasil, da Cia. Pia Fraus, vai gostar de assistir à versão quea companhia criou especialmente para o festival, mesclandobichos brasileiros com australianos, que estréia também no dia11, na Cultura Inglesa de Pinheiros. Uma das importantes vertentes da programação é a mostrada cultura aborígine. "Hoje existe um movimento muito forte nosentido de rever os erros da colonização. Se não é possívelvoltar no tempo, pode-se recuperar a importância da culturaaborígine." Essa cultura está presente nas exposições e emvários espetáculos. Um dos exemplos dessa valorização está emCrying Baby, um show multimídia que mescla dança tradicional,acrobacias, pernas-de-pau, projeções e música para contar alenda aborígine de uma criança abandonada por sua tribo nodeserto. O espetáculo será apresentado ao ar livre, entre osdias 22 e 25 de maio, nos jardins do Museu da Casa Brasileira. A vasta programação do 6.º Festival Cultura Inglesa podeser conferida na íntegra no site www.culturainglesasp.com.br.Serviço - 6.º Cultura Inglesa Festival. Exposições: de segunda asexta, das 9 às 20 horas; sábado e domingo, das 10 às 18 horas.Centro Brasileiro Britânico. Rua Ferreira de Araújo, 741, tel.3039-0553. Até 28/5. Abertura na terça, às 20h p/ convidados;Teatro: Face To Face. De quarta a sábado, às 21 horas. R$ 2000. Teatro Cultura Inglesa. Rua Deputado Lacerda Franco, 333,São Paulo, tel. 3814-0100.Até 11/5. ; Performance: Urban DreamCapsule. Local: Avenida Paulista, 1.500. Até 21/5. A partir deterça às 17 horas

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