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Atuar ficou mais divertido

Paul Giamatti, que está em A Minha Versão do Amor, fala de sua carreira

Lewis Beale, The New York Times, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Considerando que o seu primeiro destaque no cinema foi no papel de um homem chamado Pig Vomit, no filme biográfico de Howard Stern, O Rei da Baixaria, de 1997, é ótimo saber que Paul Giamatti transformou-se num dos nossos melhores atores especializados em tipos de personagens.

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Em filmes como Anti-Herói Americano, Sideways - Entre Umas e Outras, A Luta pela Esperança, e na minissérie John Adams, o ator de 43 anos mostrou uma profundidade e versatilidade que poucos intérpretes contemporâneos conseguem igualar. E ele também é aclamado pela crítica: de 2001 a 2008, Paul Giamatti foi indicado para 45 prêmios e ganhou 26, incluindo um Emmy e um Golden Globe pela série John Adams.

A reportagem encontrou-se com o arguto e erudito ator durante a turnê publicitária do seu mais recente filme, A Minha Versão do Amor.

Em A Minha Versão do Amor, história que se desenvolve durante um período de mais de 40 anos, você interpreta um exuberante produtor de TV que se apaixona pela terceira mulher quando está celebrando o seu segundo casamento. O que o atraiu nesse papel?

Não há dúvida de que ele me deu a oportunidade de fazer tudo. Só o amadurecimento já bastaria, mas o personagem tem muitas nuances de personalidade. Gosto de personagens multifacetados.

Você ficou muito famoso em 1997 quando interpretou Pig Vomit, do tão vilipendiado produtor Howard Stern, em O Rei da Baixaria. Foi uma maneira infernal de se tornar conhecido.

Na época, e ainda hoje, adoro esse filme e o papel. Ainda é um dos mais divertidos que já encarei. Eu estava fazendo teatro na ocasião e esse era um bom papel. Mas tive mais trabalho para interpretar papéis bizarros como esse. Mas nunca senti o que outros sentiram, que se perguntavam, "o que estamos fazendo com esse sujeito?".

Você estudou arte dramática em Yale. Quais eram os atores que o influenciavam na época?

Eu ia muito ao cinema e era uma época em que as universidades ainda tinham cineclubes, que exibiam filmes loucos. Sempre gostei de atores como Robert Duvall e Alec Guinness. Alec Guinness parece ter feito muita coisa excêntrica, pitorescas. Não são atores que gesticulam muito, são muito especializados, mas são contidos. Eles fazem escolhas que chamam muita atenção, mas não gostam de ostentação. Guinness pode ser excelente e hiperbólico, mas, ao mesmo tempo, uma pessoa assentada e convincente.

Você tem alguma maneira particular de se preparar para os papéis?

É caso a caso. Nunca sei quanto preciso ou desejo fazer. Não sou um ator que fica remoendo o tempo todo o personagem. No caso de A Luta pela Esperança (em que ele interpreta o manager do boxeador Russel Crowe), fiz muita pesquisa e passei um tempo junto com boxeadores e treinadores. Às vezes preciso aprender um sotaque para alguma coisa. Gosto de fazer coisas desse tipo. Em A Minha Versão do Amor faço algo diferente, mas estou feliz porque poucas pessoas notaram isso. É o sotaque de Montreal que usei. E há pessoas que conheço nas quais moldei o personagem. Mas não quero que tudo seja à minha própria maneira.

Sideways - Entre Umas e Outras, em que você interpreta um conhecedor de vinhos depressivo, foi o filme que realmente o transformou numa estrela. Você foi indicado para muitos prêmios por esse papel, e venceu, incluindo o de melhor ator concedido pelos Críticos de Cinema de Nova York. Como isso influenciou a sua carreira?

Na verdade, muitos roteiros mais me foram enviados. O número e a variedade deles aumentaram. Eu tinha e tenho a opção de escolher qual aceitar, mas não é uma escolha ilimitada. Acho que as pessoas na maior parte examinam e pensam: "Esse sujeito pode levar um filme para a frente, pode interpretar um grande papel, pode ser capaz disso".

Você disse que interpretar ficou muito mais divertido quando começou a encarar a sua atuação mais como um trabalho do que uma missão. O que quis dizer com isso?

Colocava tanta pressão em mim mesmo que precisava me destruir para fazer o papel e foi disso que eu me livrei. Foi um processo de maturação e, ao mesmo tempo, percebi que estava me prejudicando muito, eu tinha que me acalmar um pouco. "Isso é loucura", pensei.

Seu pai, Bart Giamatti, foi presidente de Yale e da comissão da principal Liga de Beisebol dos Estados Unidos. Isso significa que você tem uma entrada vitalícia para todos os grandes jogos?

Não. Provavelmente eu teria conseguido uma. Não sou um grande torcedor e isso foi principalmente por omissão. Meu pai e meu irmão eram grandes torcedores. Poderia ter conseguido. Mas quando segui o exemplo deles, comecei a torcer pelo Red Sox. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

A MINHA VERSÃO DO AMOR

Nome original: Barney"s Version. Direção: Richard J. Lewis.

Gênero: Comédia (EUA/ 2010, 134 minutos).

Censura: 14 anos.

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