Atuação salva filme baseado em receitas antigas

Vamos logo esclarecendo que Os Pinguins do Papai não é um filme para críticos. Eles vão fazer as objeções de sempre. A nova comédia familiar de Jim Carrey segue as receitas do cinema infantil que dá certo. Crianças, animais, um personagem que passa por uma transformação e readquire o respeito da ex-mulher e dos filhos. Um punhado de pinguins é peça decisiva no processo - mas eles são mais numerosos no livro em que se baseia o filme.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

O problema, e não se trata bem de um problema - pelo menos do ponto de vista da indústria do cinema -, é que Carrey é muito bom no que faz. Você pode preferi-lo como ator dramático, em obras de grandes diretores, mas o palhaço que adora as caretas e sabe fazer chorar, domina como poucos as diversas formas de provocar o riso. Pantomimas, máscaras, piadas verbais e visuais. Vale tudo.

Mas a melhor ideia de Os Pinguins do Papai, Carrey, mesmo tendo colaborado no roteiro, admitiu que foi do diretor Mark Waters. A referência a Charles Chaplin e seu imortal personagem Carlitos é um regalo. O cinema do século 21 ainda tem lições a aprender com os velhos mestres.

O curioso é que, na estreia, Waters seduziu os críticos, mas não o público. Seu primeiro filme, que já era uma comédia, usava humor negro para falar de incesto. A Casa do Sim virou cult. Waters poderia ter seguido nessa via virulenta. Vendeu a alma ao cinemão? Sem dúvida. Podem lhe atirar quantas pedras quiserem mas, por via das dúvidas, não vejam papai Carrey para não cair em tentação.

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