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Atrizes consagram 'Trapaça'

Amy Adams e Jennifer Lawrence levam o Globo de Ouro; entre as séries, venceu a cultuada ‘Breaking Bad’

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2014 | 08h05

E começou a temporada de prêmios nos EUA. O primeiro Globo de Ouro da noite, na festa realizada ontem no Beverly Hilton Hotel – de melhor atriz coadjuvante de comédia ou musical – foi para a queridinha de Hollywood. Jennifer Lawrence, que venceu o Oscar de melhor atriz no ano passado por O Lado Bom da Vida, ganhou o Globo de Ouro de coadjuvante por seu novo trabalho com o diretor David O. Russell, Trapaça. Ela faz a esposa vulgar de um trapaceiro de Nova Jersey. Veste-se e age como uma tramp, bem diferente da heroína da franquia Jogos Vorazes. Jennifer é ótima e, se ainda havia dúvida, pavimentou ontem suas indicação para o Oscar de melhor atriz coadjuvante – que leva jeito de ganhar.

Jennifer destacou sua alegria por participar da competição neste ano de tantas – palavras dela – “grandes mulheres”. A segunda premiada da noite não foi uma jovem (23 anos) como Jennifer Lawrence. Há 47 anos, Jacqueline Bisset foi indicada pelos correspondentes estrangeiros de Hollywood na categoria de ‘promessa’. Todo este tempo e cinco indicações depois, ela finalmente ganhou seu prêmio de melhor coadjuvante de série ou filme de TV, por Dancing on the Edge. E surgiu a melhor atriz de minissérie – a norte-americana Elisabeth Moss, que fez a secretária de Mad Men e venceu por sua participação em Top of the Lake, elogiado trabalho da neozelandesa Jane Campion. É o primeiro telefilme de Jane desde Um Anjo em Minha Mesa, no começo da carreira dela, em 1990.

O Globo de Ouro de melhor telefilme do ano foi – e não deixa de ter sido um exagero – Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh, com Michael Douglas no papel do mítico Liberace, um gay de carteirinha que os puritanos EUA dos anos 1950 adoravam como ‘excêntrico’. O primeiro ator premiado da noite foi Bryan Cranston e, na sequência, o Globo de Ouro de série dramática foi justamente para Breaking Bad, em que ele faz o professor de química Walter White, cuja vida entra em parafuso quando ele descobre ser portador de um câncer terminal. O que fazer para garantir, após sua morte, a sobrevivência da mulher e do filho que sofre de paralisia cerebral? White torna-se traficante – seria um vilão, se a plateia não o amasse tanto.

Uma surpresa – Alex Ebert superou os favoritos e ganhou o Globo de Ouro de trilha musical por All Is Lost, que no Brasil vai se chamar Até o Fim. O filme de J.C. Chandor coloca Robert Redford no papel de um homem que enfrenta tempestade no mar. É a primeira trilha do compositor, e ela se destaca pela economia, entrando pontualmente em cenas de grande intensidade dramática. Logo em seguida, o Globo de Ouro de canção foi para o U2. Foi a sétima indicação da banda irlandesa, e sua segunda vitória. A primeira foi pela canção de Gangues de Nova York e a segunda agora pelo tema de Mandela, o filme de Justin Chadwick sobre o líder sul-africano. Ordinary Love – o quarteto subiu ao palco, mas foi Bono quem disse: “A música é de amor porque o filme narra uma história de amor, a de Nelson Mandela pela humanidade”.

Ray Donovan valeu o Globo de Ouro de ator coadjuvante ao veterano Jon Voight. O pai de Angelina Jolie, vencedor do Oscar por Amargo Regresso (nos anos 1970), fez um discurso emocionado. Disse que, “com toda humildade”, se colocava no mesmo plano de todos os seus colegas atores, feliz por estar trabalhando. Amy Adams ganhou o prêmio de melhor atriz de comédia por seu papel em Trapaça. Dois prêmios para as atrizes do filme de David O. Russell com certeza destacam o que a obra tem de melhor. O próprio Russell, na entrevista que deu a um grupo de jornalistas em Nova York – incluindo o Estado –, disse que faz filmes sobre gente, e não poupou elogios a seu elenco, às atrizes em especial. Alguns dos melhores momentos de Amy Adams, ela revelou, nasceram de sugestões de Jennifer Lawrence sobre como ela devia interpretar o papel.

Passada meia-noite, o prêmio de melhor atriz de série dramática – House of Cards – foi para a ex de Sean Penn, Robin Wright. Baseado no romance homônimo escrito por Michael Dobbs e na minissérie britânica criada por Andrew Davies, a série é sobre um político ambicioso de Washington (Kevin Spacey). Robin faz sua mulher. E o Globo de Ouro de coadjuvante de drama foi para Jared Leto, excepcional em Dallas Buyers Club, de Jean-Marc Vallée. O papel dele como transexual é realmente muito forte. Você pode acreditar que Jared estará entre os indicados para o Oscar no dia 16. Mais que um tour de force, o desafio para o ator era dar humanidade a seu transformista. E isso ele conseguiu, brilhantemente.

VENCEDORES:

Atriz (comédia)

Amy Adams

Trilha Sonora

Até o Fim

Atriz coadjuvante

Jennifer Lawrence

Ator (série dramática)

Bryan Cranston

Série dramática

Breaking Bad

Atriz (série dramática)

Robin Wright

Atriz coadjuvante (telefilme ou minissérie)

Jaqueline Bisset

Ator coadjuvante (telefilme ou minissérie)

Jon Voigt

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