Atriz sempre lutou contra injustiça social

Com invejável lucidez, a atriz recebeu a reportagem para uma conversa. E ainda vibrava com a leitura do mais recente livro de Eric Hobsbawn e com a entrevista do líder camponês José Bové que vira na véspera, no programa Roda Viva. "Bové respondeu a todas as provocações com calma, inteligência e números precisos sobre a concentração de terras." Quanto ao livro, ela destaca uma frase com a qual concorda plenamente: "O capitalismo não serve ao gênero humano."A atitude não chega a supreender quando parte de uma mulher que pautou sua vida por princípios éticos e de justiça, defendendo posições nem sempre confortáveis, que acabaram prejudicando sua curta e brilhante carreira de atriz. Há três anos, Lélia lançou sua autobiografia Vida e Arte, Memórias de Lélia Abramo, editada pela Unicamp.O crítico literário Antonio Candido assim sintetizou a trajetória da atriz num trecho do prefácio: "O nosso mundo é tão cheio de quebras, capitulações, deserções, omissões e tudo o mais, que conforta ler a narrativa de uma vida como a de Lélia Abramo, que nunca vergou a espinha, nunca sacrificou a consciência à conveniência e desde muito jovem se opôs à injustiça da sociedade. Que sempre rejeitou as vias sinuosas e preferiu perder empregos, arriscar a segurança, sofrer discriminações para poder dizer a verdade e agir de acordo com seus pontos de vista." Ela comenta sobre a opinião do crítico: "Mas a gente paga um preço muito alto por isso", diz Lélia. "Toda a minha família, muito talentosa, pagou por seus princípios éticos."

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