Atriz fez trabalho meticuloso

Depois de assistir, no início do ano, à montagem londrina de Judy Garland, Claudia Netto percebeu-se deslumbrada e aterrorizada. "Descobri que seria o grande papel da minha carreira, mas era um desafio dificílimo", conta ela, que aproveitou o longo tempo até a produção se concretizar para se preparar. Foi um trabalho intenso e meticuloso.

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h05

"A cada ensaio, eu a incentivava a se desconstruir mais e mais", conta Charles Möeller. "Fomos descascando camadas até chegar ao âmago." No dia a dia, isso significava que, sob a direção musical de Claudio Botelho, ela primeiro descobriu os vibratos característicos de Judy Garland para, depois, sujá-los. "Afinal, eu a interpretaria na fase final da vida, quando a voz tinha falhas", conta Claudia, que precisou ainda desenvolver uma cumplicidade cênica com Igor Rickli, que vive Mickey Deans, o marido 20 anos mais novo de Judy.

"Há momentos em que trocamos pesados desaforos, uma violência verbal muito forte", comenta o ator, que se destacou no musical Hair, que chega a São Paulo no dia 13 de janeiro.

De fato, a relação de Judy com os homens que a cercam oscila do amor ao desprezo. "É uma artista em carne viva, que se mantém em pé a custo de remédios", comenta Möeller. "Evitamos a caricatura para chegar à essência: Judy era bipolar em relação ao mito criado a partir de O Mágico de Oz, pois, ao mesmo tempo em que desfrutava da fama, sentia-se presa à essa mesma fama."

O resultado é magistral - em canções como The Man That Got Away, Claudia arrasa no palco, perfeita na interpretação vocal e cênica do desespero sentido por uma mulher ameaçada pela solidão. Como Judy, Claudia Netto repete o feito de Totia Meirelles em Gipsy: a da intérprete que transcende o papel. / U.B.

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