Atriz do programa de Maluf deixa o País.

A bela Samantha Monteiro, que foi Chapeuzinho Vermelho em Nova Velha História e Lady Macbeth em Trono de Sangue - dois memoráveis espetáculos do Centro de Pesquisa Teatral, dirigidos por Antunes Filho -, e depois optou por uma linha mais popular, passando pelo elenco de Malhação, na Globo, viveu no ano passado seu papel mais polêmico: foi a apresentadora do programa de Paulo Maluf durante as eleições à prefeitura de São Paulo. Findas as eleições municipais, Samantha tomou uma resolução de ano novo radical. Está deixando a montagem de Antiga, nova peça de Dionísio Neto, que vem sendo ensaiada nas Oficinas Culturais Oswald de Andrade, com estréia prevista para o fim do primeiro semestre. Retiro espiritual - Em lugar de atuar no drama contemporâneo, escrito pelo autor de Perpétua, Samantha Monteiro embarca nos próximos dias para Paris, onde vai, segundo a assessoria de imprensa de Antiga, fazer um "retiro espiritual". Ontem à tarde, a atriz não foi encontrada em sua casa, e não respondeu aos telefonemas do Grupo Estado. Segundo Dionísio Neto, o que a levou a tomar a decisão de deixar o Brasil foi a pressão. "Não só da classe teatral", segundo ele. Samantha passou a sofrer agressões verbais "na rua, de pessoas que não conhecia". Uma ida ao cinema ou ao supermercado tornou-se um problema. E a atriz decidiu trocar o País por Paris. "Ela tem um namorado lá", diz Dionísio Neto. "E pretende voltar a estudar. Vai fazer cursos de teatro." Segundo o ator/dramaturgo, Samantha Monteiro deve ficar cerca de um ano fora do Brasil. "Acho que vai ser muito boa para ela essa viagem." Mas, o intérprete faz questão salientar: "É lastimável tudo isso. Ela aceitou participar do programa eleitoral por causa do dinheiro, de que precisava. Não foi por ideologia." Antunes, Marília... - Samantha Monteiro não é a primeira atriz do show biz tupiniquim a amargar pressões pela participação em programas eleitorais ou pela adesão a certos candidatos. Artistas que se posicionam à esquerda do espectro político não costumam ter problemas por seu apoio a políticos. Sérgio Mamberti, Paulo Betti e Antônio Fagundes foram durante muito tempo figurinhas carimbadas nos programas eleitorais do PT, e ninguém acionou um rolo compressor contra eles. Quando os artistas apóiam políticos de direita, a coisa muda de figura. Antunes Filho, o mestre de Samantha Monteiro, por exemplo, passou por maus momentos quando, em 1985, resolveu tornar público seu apoio a Jânio da Silva Quadros, que concorria à prefeitura de São Paulo, tendo como opositor Fernando Henrique Cardoso. Antunes, que já era considerado o grande mestre do teatro brasileiro, não participou de nenhum programa eleitoral pró-Jânio. Mas bastou sua declaração favorável à candidatura de Jânio Quadros para ser alvo de manifestações de artistas contrários ao ex-presidente. Em 1989, em meio a muitas duplas sertanejas, três atrizes decidiram prestar seu apoio ao candidato à presidência da República Fernando Collor de Mello. Eram elas Cláudia Raia, Marília Pêra e Tereza Rachel. As manifestações de repúdio não tardaram. Marília, em cartaz no Teatro Jardel Filho com o show Elas por Ela, chegou a ser sonoramente vaiada por uma passeata do PT. Ela e Cláudia Raia recompuseram-se com facilidade do apoio prestado a Collor. Mas Tereza Rachel até hoje sofre boicotes por conta de sua adesão ao político alagoano. Como ocorreu com a paulistana Helen Helene, cuja carreira nunca se refez de sua participação nos programas eleitorais de Paulo Maluf nas candidaturas a prefeito e a governador nos anos 90.

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