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Atores viverão em casa de vidro na Av. Paulista

Quem passar na altura do número 1.500 da Avenida Paulista a partir de terça-feira vai encontrar quatro homens carecas vivendo dentro de uma vitrine. É o Urban Dream Capsule (Sonho da Cápsula Urbana), projeto de um grupo de teatro australiano que propõe um reality show, sem câmeras de TV.Durante 15 dias, os atores do Urban Dream Capsule estarão vivendo dentro da vitrine que foi transformada em casa. O projeto do grupo é anterior à onda de reality shows da televisão. Foi criado em 1996 pelo ator Neil Thomas. É também bem diferente do que se vê na tela. Os atores profissionais, ao contrário do que se exibe nas TVs, não estão confinados para receber dinheiro. Eles ficam na casa para fazer um trabalho artístico e promover a interação do público com o espetáculo.Esta é a primeira vez que o Urban Dream Capsule vem ao Brasil. Nas oito apresentações anteriores, os países escolhidos foram Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Bélgica, Estados Unidos e Inglaterra. "Estamos curiosos para ver a reação dos brasileiros que são tão diferentes dos outros povos para os quais nos apresentamos", explica Neil Thomas, criador do espetáculo e um dos quatro atores que estarão confinados na casa-vitrine.Thomas diz que normalmente as pessoas não conversam com estranhos e que o público, quando assiste ao show, faz comentários com a pessoa que está do lado, tentando descobrir do que se trata. "Sei que no Brasil as pessoas são diferentes e falam com gente que nunca viram. Por isso, a reação dos brasileiros será uma surpresa". Ele conta que em Montreal a integração chegou ao ponto das pessoas passarem receitas para os atores e outras pessoas que estavam do lado dizerem que a receita não estava correta e que a quantidade de ovos na panqueca não era aquela.Durante os 15 dias em que estiverem na casa, os atores vão cozinhar, comer, fazer ginástica e tomar banho na frente das pessoas, mas usarão o banheiro na parte fechada da casa. "Será o único momento em que eles sairão da visão dos espectadores porque, afinal de contas, ninguém quer ver os outros usando o banheiro", diz o cenógrafo da casa Richard Jeziorny.O público não só pode como deve participar e se comunicar com os atores de todas as formas. Vale tudo: escrever bilhetes em papel, fazer gestos, dançar e cantar. "O trabalho é feito para entreter o público, por isso, brincamos com eles e fazemos encenações", diz Thomas.O ator esclarece que os quatro atores não estão representando personagens em cena, mas usando gestualidade teatral. Thomas diz que cada um dos quatro atores tem uma características pessoal. "Há o quieto, o atrapalhado, o exibicionista e o simpático. Mas não ou dizer quem é quem. O público percebe".As pessoas vão se comunicar com o público não somente em frente à vitrine, mas também por meio de fax (11) 3285-3305 e do e-mail: udc@culturainglesasp.com.br. Os atores ficam 24 horas na casa-vitrine. Somente por volta das 2h, quando eles vão dormir, a equipe de segurança coloca um cordão de isolamento em volta da vitrine para evitar que as pessoas batam no vidro. "Todos podem continuar olhando enquanto eles dormem, mas durante cinco ou seis horas, a comunicação precisa ser interrompida para que eles possam descansar", conta a gerente de produção do grupo, Fiona de Garis.

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