Atores lutam por direito de imagem

A exportação de programas de TV virou uma novela para o Sindicato dos Atores do Rio. Os atores, que pouco ganham das emissoras nacionais ao ter suas imagens vendidas a outros países, agora se organizam para que a sangria não se amplie.Eles querem 5% da receita publicitária que as emissoras estrangeiras obtêm com as novelas brasileiras. Por isso, a entidade começa a fazer parcerias com sindicatos internacionais para receber esses direitos, chamados conexos. Pelo acordo, um sindicato estrangeiro avisa ao brasileiro quando uma obra é exibida em seu país. ?Hoje, os atores não têm controle sobre quais novelas são exibidas mundo afora?, diz Bete Pinho, secretária-geral do sindicato carioca.As vendas internacionais garantem lucro milionário. Só a Globo fatura US$ 30 milhões por ano com o negócio ? equivalente ao custo de quatro novelas do porte de Uga Uga, por exemplo.Segundo o Núcleo de Vendas Internacionais da Globo, a novela de maior faturamento internacional, e a segunda mais vendida (depois de >Escrava Isaura), é o remake de Mulheres de Areia (1993). A produção já esteve em 40 países. Seus capítulos custam de US$ 200 a US$ 20 mil cada. O valor varia com o país e a receita publicitária do canal. Por isso, Mulheres é a que mais rendeu dividendos, fato que não parece animar os atores. ?É um dinheiro pouco significativo. O que faz diferença é quando uma novela passa no Vale a Pena Ver de Novo. Aí recebemos quase o valor de um salário?, diz Suzana Vieira, que foi a sogra da malvada Raquel (Glória Pires) em Mulheres de Areia e está na reprise de A Próxima Vítima.O dinheiro destinado à equipe (o que inclui cerca de 40 atores por produção, além de técnicos, diretores e autores) chega a 15% do valor bruto da venda internacional. A participação ocorre de acordo com a faixa salarial e posição hierárquica na história. Autor e diretor faturam mais, protagonistas vêm em seguida. Figurantes não recebem. Segundo o presidente do Sindicato dos Atores, Stepan Nercessian, o valor pago é irrisório. ?A Globo alega que esse tipo de negócio não é tão lucrativo??, diz.Mas o problema não é esse. Segundo Bete Pinho, além dos 5% a serem cobrados, cada obra reexibida deveria ter uma autorização assinada pelos atores. ?A lei mudou há dois anos, mas a maioria dos atores não é consultada?, diz ela. O sindicato tenta chegar a um acordo sobre a exibição de obras em TV a cabo. ?Quando a maioria das novelas foi gravada, não havia TV paga. Então, esse tipo de exibição não está previsto em contrato?, diz.Os problemas não param por aí. Lucélia Santos continua sem receber nada pelas vendas de Escrava Isaura (1976), hit que já passou por mais de 50 países. A lei que garante direitos conexos a atores foi criada em 1978, mas a trama foi gravada até 77. ?Esses dias recebi R$ 200,00 por uma venda de Sinhá Moça (1986). Mas não dá para contar com esse dinheiro, nunca sabemos quanto e quando virá?, diz.

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