Atores estrangeiros, uma ousadia

Jayme Monjardim - A faixa das 18h está investindo em tramas ambientadas fora do eixo RJ/SP. Há uma necessidade dos autores de mostrar novos Brasis?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h13

Walther Negrão - Acho importante investirmos cada vez mais em lugares diferentes do Brasil. Temos lugares belíssimos que não foram explorados. Gosto muito dessa terra, sou caipira de roça, do interior de São Paulo.

Jayme - Como o autor se envolve na construção do projeto?

Negrão - Cada autor tem um processo diferente. Para Flor do Caribe, passei um tempo desenvolvendo a sinopse para depois apresentar à direção da TV. Depois, começamos a trabalhar com os colaboradores e a escrever os capítulos. Dessa vez, o ponto de partida não foi a trama em si, mas a ideia de fazer uma novela solar, com apelo de belas paisagens, especialmente as praias do Nordeste. Quando li sobre o Rio Grande do Norte e vi um lugar alto astral, com muitas riquezas naturais e belas paisagens, decidi que seria lá.

Jayme - Como vai entrar na novela a parte da 2ª Guerra?

Negrão - Vamos abordar o tema nas memórias e lembranças dos personagens Samuel (Juca de Oliveira) e Dionísio (Sérgio Mamberti). Eles dividem um passado em comum que nem imaginam. Eu me encantei por esse tema porque uma das primeiras coisas que fiz no teatro foi O Diário de Annie Frank e me marcou muito.

Negrão - Que cuidados você toma para imprimir sua marca, sem perder as características que o autor escreve?

Jayme - Só pelo fato de termos nossos personagens em universos saudáveis, nas praias, em aventuras e romances, já naturalmente falamos que é um clima solar e quente, proposta da novela. Une-se a isso a Lua, o vento, as noites americanas e temos uma novela sensorial.

Negrão - Sei que você valoriza o investimento cada vez maior na fotografia das novelas. Quais são os avanços em Flor do Caribe?

Jayme - É um caminho natural da evolução da qualidade do material que captamos. É importante manter uma busca constante pela excelência, o diferencial. O telespectador sente isso quando vê uma produção da Globo no ar. Estamos usando uma tecnologia bem moderna, que consegue retratar o mais fielmente a luz que queremos. Para isso, levamos às gravações uma série de novas câmeras. Na base aérea de Natal, filmamos o voo dos caças em 360° para transportar os telespectadores para dentro do avião. E eles vão perceber essa mudança na tela. A TV está chegando mais e mais perto da imagem do cinema.

Negrão - Como foi a escolha por atores estrangeiros?

Monjardim - Foi uma grande ousadia. Em Flor do Caribe, acho que a gente conseguiu juntar um elenco incrível e muito dedicado. Optei também por trabalhar com atores estrangeiros, o que traz um charme e um diferencial. A vinda da Moro Anghileri da Argentina e do César Troncoso do Uruguai trazem um brilho especial para o elenco, além do Jean Pierre Noher, que já é quase brasileiro!

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