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Atores das orquestras gravaram a trilha

Composições de 'Saramandaia' são tocadas no estúdio para dar o clima

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2013 | 02h14

Em meio ao realismo mágico de Saramandaia, existe uma verdade: os integrantes das Filarmônica Bolebolense e a da Lira Euterpiana são músicos de verdade e gravaram a trilha instrumental da novela. "A gente aproveitou a presença de músicos (na história) no posto e tive a ideia de contratar esses 18 profissionais", conta Sergio Saraceni, responsável pelas músicas que pontuam a trama, dirigida por Denise Saraceni, sua irmã.

Os instrumentistas se juntaram à equipe de Saraceni para gravar cerca de 40 composições do artista. "Eles se uniram à minha orquestra e formamos um grupo com mais de 50 músicos para a trilha sonora original." Parte das músicas foi composta antes do início das gravações. "Fiz em cima do roteiro, depois, comecei a receber algumas imagens. Ao mesmo tempo que eu ia mandando, Denise e equipe iam aproveitando como elemento de inspiração nas gravações."

A diretora costuma tocar músicas no set para ajudar o elenco. "Faço muitos climas em cena sem diálogo ou cena com emoção. Às vezes, é preciso um clima mais concentrado. Na hora em que começa a rodar, eu tiro a música", disse ao Estado.

Os irmãos investiram na música instrumental. "Pelo horário, Denise e Ricardo (Linhares, autor) optaram por ir na praia do cinema americano, todo orquestrado. Há uma citação do Pavão Mysteriozo em um trecho", explica ele, citando o tema de abertura da versão original da trama de 1976. Na lista, há apenas quatro composições cantadas. "Só os pares românticos ", reforça a diretora.

Na atração, as duas orquestras estão em lados políticos opostos e são lideradas por Totó (Zéu Britto), líder do grupo musical saramandista, e Cursino (André Abujamra), dos conservadores bolebolenses. A dupla é sócia na barbearia da cidade, mas tem atritos em relação às ideologias. "Quando me chamaram, eu disse que era muito louco para ser o tradicionalista. Sempre fui libertário na música e na vida e estou fazendo o oposto", afirma André, que tem formação musical e já compôs a trilha de mais de 20 filmes. Ele, porém, ficou longe da partitura da novela, apesar de as canções terem sonoridade parecida com a de seu trabalho.

"Muita gente acha que é. Tem uma pegada de Bálcãs com música brasileira. Entreguei meu CD para o Sergio e brinquei que não queria nenhuma música minha na novela", revela. Filho do ator Antônio Abujamra, André diz ter dificuldade em memorizar o texto da trama, a segunda de sua carreira. "Ser ator é outro metabolismo. Mas, com o carinho que as pessoas têm pelo meu pai, chego aqui me sentindo o Tarcísio Meira", brinca.

Também músico na vida real, Zéu Britto está animado em viver um embate político na ficção. "Quando passei no vestibular, participava daquelas coisas de calouro, tudo com um cunho político. Tenho esse humor todo, mas levo política a sério. Tanto que até me emociono. Isso me tira do sério, inclusive."

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