Atores das CPIs inspiram ciclo de palestras no Ágora

Expressões como ´o teatro´ da CPI provocaram justa indignação de muitos envolvidos com essa arte milenar. Celso Frateschi e Roberto Lage resolveram provocar uma reflexão que ajudasse a raspar dos conceitos de teatro e política o grude das associações rasas que tomaram conta da mídia nos últimos tempos. Para tanto, convidaram pensadores à realização de palestras no Ágora Teatro.Filósofa já conhecida - e reconhecida - por um público amplo, Marilena Chauí abre o ciclo nesta segunda-feira falando sobre a origem do teatro e da política. Professor de filosofia da Unicamp, Marcos Nobre dá seguimento, na próxima terça, abordando mais diretamente os acontecimentos inspiradores na palestra A Politização no Teatro e a Teatralização na Política. E Eugenio Bucci, doutor em ciências da comunicação pela USP, encerra o ciclo falando sobre a chamada Sociedade do Espetáculo."O fato de tudo quanto é canalha passar a ser chamado de ator - num dado momento Roberto Jefferson foi nomeado como o melhor ator brasileiro - pode ter sido o ponto de partida de nossa inquietação. Mas logo percebermos que o tema propiciaria reflexão mais profunda e interessante", diz Frateschi. Com este seminário queremos investigar como o intercâmbio de elementos entre teatro e política pode degradar a ambos. Recursos que no teatro têm o objetivo de criar conhecimento, quando apropriados pela política servem à mistificação."Nas palestras, o intercâmbio de elementos entre arte e política será abordada desde as ações espetaculares dos regimes autoritários até a evolução desse jogo de sedução teatralizado para a vida privada, na chamada sociedade do espetáculo. "Nossa sorte foi que conseguimos essas feras para falar disso. Foram os três primeiros nomes pensados, e todos aceitaram", comemora Frateschi, que no momento está em cartaz no Ágora como protagonista da peça Ricardo III, dirigida por Roberto Lage.Também nesta segunda tem início no Ágora um projeto de formação chamado Machadianas. Quatro núcleos distintos - cada um com seis atores e sob a orientação de um diretor - vão trabalhar sobre contos de Machado de Assis. "A idéia é investigar como a obra desse escritor pode iluminar o entendimento do homem contemporâneo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.