Netflix/Divulgação
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Ator Diego Luna quer sensibilizar sobre horror do narcotráfico no México

Após críticas por papel em 'Narcos', ator afirma que próxima temporada da séria é uma oportunidade de gerar interesse do público sobre 'grave problema'

AFP

01 Novembro 2018 | 18h25

Na série "Narcos: México" o ator Diego Luna vive o chefe do tráfico Miguel Ángel Félix Gallardo, fundador do outrora poderoso Cartel de Guadalajara, papel que lhe valeu críticas de um setor político em seu país que o acusa de "fazer apologia do narcotráfico".

Mas o ator mexicano responde com o argumento de que a quarta temporada da série transmitida pela Netflix é uma "boa oportunidade para gerar o interesse daqueles que ainda não são sensíveis a um grave problema".

Uma polêmica operação antidrogas gerou no México uma onda de violência que deixou mais de 200.000 mortes violentas em 12 anos, segundo dados oficiais que não detalham quantas estariam ligadas ao crime organizado.

"Do meu ponto de vista, é importante contar essa história durante a década (de 1980) na qual foi montada a estrutura daquilo que vivemos hoje", declarou Luna à AFP durante a apresentação da série que estreará em 16 de novembro.

Após o desaparecimento do Cartel de Guadalajara, nos anos 1990 surgiu o poderoso Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín "El Chapo" Guzmán, agora preso nos Estados Unidos e à espera de que, em novembro, comece o seu julgamento.

Seu papel protagonista na nova temporada de "Narcos", sua estreia em uma série, foi anunciado em março, quando Luna protestava contra a Lei de Segurança Interior, que regulamenta a participação das Forças Armadas do México em tarefas de segurança pública.

Entre os que acusaram nas redes sociais o ator de contradizer o seu discurso ao estrelar uma série "que faz apologia ao crime" destaca-se o senador conservador Javier Lozano.

"Respeito as opiniões de todos, menos daqueles que pedem para não contar essas histórias e falar sobre 'coisas boas' (...) Se você vai à rua, todo mundo vê essa violência que cresce de forma esmagadora", assinalou Luna.

"Me interessa que esse público que assiste a série na Alemanha, Inglaterra e outros países fora da América Latina, da próxima vez que fizer uma carreira de cocaína, pense um pouco sobre o que está por trás disso", disse o também produtor.

'O chefe dos chefes'

Conhecido como "o chefe dos chefes", Félix Gallardo, originário de Sinaloa, se tornou o czar da cocaína no México na década de 1980. Foi pioneiro em traficá-la aos Estados Unidos: projetou e controlou as principais rotas de tráfico da droga no país.

Durante esse período, Félix Gallardo foi considerado o traficante mais poderoso do México, mudando a maneira como o narcotráfico operava, já que antes de entrar para o crime apenas maconha e a papoula eram transportadas para os Estados Unidos.

"Ao contrário do que acontece com outros personagens, dos quais você pode se apaixonar em todos os sentidos, com este não dá para acontecer, e essa foi a minha decisão em termos de assumir uma posição", explicou Luna, de 38 anos.

Félix Gallardo foi preso em abril de 1989 em Guadalajara (oeste), a segunda cidade mais importante do país. Continuou operando da prisão até que foi colocado em uma penitenciária de segurança máxima.

Após sua queda, Rafael Caro Quintero e Ernesto Fonseca Carrillo assumiram a liderança do Cartel de Guadalajara sob a escola de Pedro Avilés Pérez, pioneiro da droga no México.

"Já vi completa ('Narcos: Mexico') e, quando acaba, não quero ser nenhum deles (chefes). Eu não quero viver nesse mundo, não estou interessado em viver", disse Luna.

Criada pelo americano Eric Newman, "Narcos: México" tem 10 episódios de 60 minutos cada. Na série, Diego Luna atua com o mexicano-americano Michael Peña, e os mexicanos Tenoch Huerta, José Maria Yazpik, Tessa Ia e Joaquín Cosío.

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