Atol explosão de vida

Livro, que será lançado hoje, recupera em textos e imagens história da reserva marinha

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2012 | 03h10

No Atlântico, localizado a 269,5 quilômetros de Natal (Rio Grande do Norte) ou a 148 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha, o Atol das Rocas é a primeira reserva biológica marinha criada no Brasil. Um anel no meio do oceano, com diâmetro de pouco mais de 3 quilômetros e com cerca de 1,5 quilômetro de praia, a reserva, que recebe apenas cientistas, vai até mil metros de profundidade, preservando exemplos raros da biodiversidade marinha. Para se chegar até Rocas, é necessário pegar um barco em Natal e viajar por um dia. "Temos de levar tudo o que precisamos e lá ficamos isolados", conta a bióloga Alice Grossman, que foi pela primeira vez ao atol em 1994, como estagiária do projeto Tamar, dedicado às tartarugas marinhas.

Lugar isolado do público, com um abrigo para acolher os cientistas em suas expedições, a reserva marinha é apresentada de forma abrangente no livro Atol das Rocas 3.º 51'S 33.º 48'W, organizado por Alice Grossman e com imagens realizadas por Marta Granville e Zaira Matheus, ambas especializadas em fotografia submarina. Obra editada pela Bei, Atol das Rocas tem seu lançamento hoje, às 18h30, na Livraria Cultura. As autoras, que vivem em Fernando de Noronha, autografam a edição, lançada, anteriormente, em Natal.

A reserva biológica foi instituída em 1979 por meio de um decreto-lei, mas sua implantação somente se deu a partir de 1991. "A história do Atol das Rocas estava pulverizada até a realização deste livro, pela primeira vez ela aparece de forma concisa e linear", diz Alice. A edição, assim, conta também com textos de Maurizélia de Brito Silva, chefe da reserva marinha, e do historiador e almirante Max Justo Guedes. Trabalhos cartográficos e fotografias antigas, muitas delas inéditas, pertencentes ao arquivo da Marinha do Brasil, resgatam a importância do Atol das Rocas desde o primeiro mapa no qual a localidade aparece, em 1605.

"É uma explosão de vida, com toda a beleza cênica, mas no meio do nada", afirma Marta. Na rota de embarcações, Rocas foi palco de naufrágios no século 19. Transformou-se, também, durante tempos, em abundante pesqueiro em alto-mar, mas essa atividade foi desativada com a criação da reserva biológica protegida para a ciência. "Rocas é a segunda maior colônia de tartarugas no Atlântico", afirma Alice Grossman, que se especializou na pesquisa de uma espécie em extinção dos répteis aquáticos, a das tartarugas verdes. Elas fazem desova no Atol das Rocas, mas a reserva ainda conserva infinidade de objetos de estudos, como colônias de corais, algas, esponjas, crustáceos, peixes, polvos, cerca de 150 mil aves e exemplares da flora. "Recentemente, foi publicada uma pesquisa na qual é citada uma alga de Rocas com forte tendência de cura do vírus HIV", conta a bióloga.

"Levar todo o equipamento fotográfico para o atol não é nada fácil", diz Zaira Matheus, também formada em biologia. Tanto ela quanto Marta Granville acompanharam Alice Grossman durante muitas expedições à reserva, além de participarem de outros estudos no local - contabilizam que reúnem, afinal, um arquivo de mais de 60 mil imagens. As fotografias presentes no livro não são apenas submarinas - segmento no qual são especializadas, mas apresentam a beleza do Atol das Rocas pela magnitude de sua paisagem como também de seus detalhes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.