Ato público pela Cinemateca pede trabalho sério

Manifestação em frente à entidade, no sábado, exigiu, além de plano de emergência, uma política cultural para o setor

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2013 | 02h15

Em uma manifestação que reuniu mais de uma centena de personalidades do cinema em frente da Cinemateca Brasileira, o ato público em prol da entidade terminou, no sábado, com saldo positivo. "Foi importante porque pessoas de destaque participaram e mostraram o valor que a Cinemateca tem. Essa ação não é o fim de uma fase, mas é o começo de uma série de outras medidas que tomaremos", declarou Daniel Chaia, um dos integrantes da diretoria colegiada da ABD-SP (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas - Seção São Paulo), organizadora do ato.

Entre os que falaram publicamente durante o ato, estavam nomes significativos do audiovisual nacional. Da produtora Sara Silveira ao ex-secretário municipal de Cultura, o cineasta e ensaísta Carlos Augusto Calil, passando por José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e os diretores Roberto Gervitz, André Klotzel e Paulo Sacramento. Sara abriu a manifestação e declarou seu apoio à demanda da ABD-SP por ações do Ministério da Cultura para reverter a crise por que passa a Cinemateca desde o início do ano. "Tem de haver um plano emergencial, sim, para que tudo isso se resolva o mais rápido possível, mas é importantíssimo que haja uma política cultural que respeite o valor de instituições como a Cinemateca e sua história", declarou a produtora. "Precisamos de trabalho sério e de longo prazo. E de atitudes. Queremos ouvir que a partir de tal dia entra em vigência o plano A, em tal dia, o plano B", analisou Sara em relação a três planos emergenciais que foram anunciados pela Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura na semana passada. Segundo informou o secretário do Audiovisual Leopoldo Nunes ao Estado, os três planos vão destinar R$ 3 milhões à Cinemateca, que serão investidos em três frentes: restauro e preservação; catalogação e acesso; e uma agenda de difusão, que deve começar a valer ainda este ano.

Proteção. Sara e Gervitz ressaltaram que o ato não é uma ação política, é apartidário e em prol da proteção à Cinemateca, uma instituição de ponta quando o assunto é a preservação da história do cinema brasileiro. "Tudo no Brasil é sempre político. Depende de quem está no poder no momento. A falta de continuidade nos trabalhos culturais é vergonhosa. Estamos indo bem economicamente, mas culturalmente estamos nos arrastando. Devemos deixar de lado as desavenças políticas", afirmou Sara. "Temos que nos unir agora, seja qual partido for, seja qual a área de atuação. O importante é defender o cinema nacional. A Cinemateca tem uma importância crucial. E essa quase paralisação por que a entidade passa é perigosa, pois é o retrocesso de um longo progresso que levou décadas para ser alcançado", disse Gervitz.

Durante o ato, os funcionários da Cinemateca leram uma carta aberta, na qual foram ressaltados os problemas que levaram a essa crise. Entre os itens mencionados, estão as demissões, os cortes de custo, que prejudicaram serviços como a análise técnica de materiais do acervo, sua conservação, a atualização da base de dados, o funcionamento da biblioteca, o empréstimo de cópias, a quase paralisação do setor de pesquisas, entre outros.

O ex-secretário Calil também falou durante o ato e ressaltou que a mobilização foi importante para alertar o MinC da importância da Cinemateca, uma das mais importantes do mundo. "É um ato político sim a forma como essa crise está sendo levada pelas autoridades, que não percebem o significado do desmanche que vem ocorrendo desde o início da crise, no começo do ano. É falta de sensibilidade do governo. São problemas do governo, não da Cinemateca. O governo que resolva seus problemas administrativos. Que mude as leis e encontre mecanismos de administração", declarou o ex-secretário. "Essa é uma cinemateca de ponta que vem sendo desmembrada dia a dia. Mesmo que amanhã de manhã tudo volte a ser como em dezembro do ano passado, o estrago já vai ter sido muito grande: 50 pessoas foram dispensadas, gente que estava trabalhando aqui há mais de 20 anos foi embora. Não é só um concurso público, que devia ter sido feito em 1985, que vai recuperar isso. O que é preciso agora é que o avião não caia. Ele já baixou muito. Se ele cair, isso aqui vai virar um museu."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.