Atitude, vigor, voz, sedução, é Ney

Ney Matogrosso se serviu do imenso e nobre palco do Teatro Municipal do Rio para gravar o DVD do elogiado projeto Beijo Bandido, lançado com sucesso em outubro do ano passado. Ontem e anteontem, para uma calorosa plateia de convidados, o cantor interpretou grandes canções brasileiras, indo do repertório de Ângela Maria, de onde resgatou Tango para Teresa (Evaldo Gouveia/Jair Amorim), que já havia gravado 16 anos atrás, a Mulher Sem Razão (Cazuza/Bebel Gilberto/Dé Palmeira), que ganhou versão recente de Adriana Calcanhotto.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

Os shows foram em benefício do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), entidade com a qual o cantor colabora há dez anos. Todos os ingressos foram comprados pelo empresário milionário Eike Batista e doados para a melhoria das condições de vida de portadores da doença. Na segunda, a apresentação foi precedida de uma cerimônia com a presença do presidente Lula, que, em seu governo, adotou medidas que beneficiaram os doentes.

Acompanhado pelo pianista Leandro Braga (diretor musical do show), o percussionista Felipe Roseno e as cordas de Lui Coimbra (cello e violão) e Alexandre Casado (violino e bandolim), Ney passeou por quase todas as faixas do CD. Com o figurino discreto de Ocimar Versolato, terno bege com forro vermelho e camisa branca, ele se mostra vigoroso em Bicho de Sete Cabeças (Geraldo Azevedo/Zé Ramalho/Renato Rocha), delicado em Medo de Amar (Vinicius de Moraes), sedutor em Cor do Desejo (Junior Almeida).

A voz está no auge, assim como o requebrado. O cantor de 68 anos e 60 e poucos quilos parece não ter sido tocado pelo passar dos anos. O timbre único ganha a companhia só do violão em Nada por Mim (Paula Toller/Herbert Vianna); em Segredo (Herivelto Martins/Marino Pinto), o destaque é o cello. Pontuado por projeções e bela iluminação (assinada por Ney), o espetáculo, que já rodou o Sudeste e o Nordeste e recentemente passou por Portugal, é encerrado com o hit dos Secos & Molhados Fala (João Ricardo/Luli), o momento mais aplaudido da noite. Ney, que começara a apresentação falando do "prazer inenarrável" de pisar aquele palco, também parecia em êxtase.

Seu último DVD, do show Inclassificáveis, teve venda expressiva (foram 60 mil cópias, entre CDs e DVDs). Era um espetáculo bem diferente, cheio de elementos visuais (joias, roupas, cenário) e sonoros (guitarra, violão, baixo, bateria, percussão).

Tinindo. Ao lançar Beijo Bandido - a estreia foi em São Paulo, em novembro passado -, chegou a dizer, ao comentar seu aspecto quase camerístico: "Minha voz tem que estar tinindo, para não dar bandeira. É uma exibição mais explícita." Revelando-se mais ou menos, o público sempre pede mais Ney. E, a partir de novembro, quando o DVD chega às lojas, poderá saboreá-lo em casa.

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