EFE
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Até agora, 'Um Toque de Pecado' é o melhor filme de Cannes

Autor sempre mostrou o massacre do humano em nome do progresso econômico

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2013 | 02h09

Surgiu logo no segundo dia o primeiro grande filme da competição - melhor que o de François Ozon. Jia Zhang-ke é um habitué de Cannes e quem conhece o autor chinês sabe que seu cinema é crítico das transformações na China. Jia não tem nenhuma nostalgia do maoismo, só não é cúmplice dessa visão cínica que transforma o mercado em avatar para a solução de todos os problemas. Os jovens de Sofia Coppola são vítimas desse mercado - eles ou Paris Hilton e Britney Spears, a quem roubam? O filme de Jia Zhang-ke chama-se Tian Zhu Ding. Em inglês é A Touch of Sin, Um Toque de Pecado.

São quatro histórias desenroladas na China contemporânea (claro). O autor sempre mostrou o massacre do humano em nome do progresso econômico. Basta lembrar das massas humanas colocadas à deriva pela construção da represa de Três Gargantas, no filme em que ele tratou do assunto. A novidade de Um Toque de Pecado é que Jia, impressionado com as narrativas (na internet, ocasionalmente na imprensa) de explosões de violência na China, resolveu filmar a reação dos derrotados.

A primeira história é exemplar do que vem a seguir. Numa província distante, um homem cansa-se de ver o chefe do comitê local se apropriar dos bens coletivos. Ao invés de repartir os lucros, como prometera, ele compra um avião para uso pessoal. O que faz o herói? Pega em armas. Munido de um rifle, sai para caçar os 'animais'. E mata.

Um Toque de Pecado não é só o melhor filme da competição, até agora. Foi também o mais aplaudido. Vamos ver o que o presidente Steven Spielberg e seus jurados pensam sobre o novo Jia Zhang-ke. O 66.º Festival de Cannes começa a esquentar. A própria temperatura elevou-se no segundo dia. À noite, na abertura de Cannes Classics, foi exibida a versão restaurada do musical Os Guarda-Chuvas do Amor, de Jaques Demy, com aquela trilha de Michel Legrand. Presentes a viúva do diretor, Agnès Varda - que preside o júri da Caméra d'Or - e a estrela Catherine Deneuve. Ela não espera o amado que foi para a guerra, na ficção (Je Vous Attendrai Toujours é a canção mais famosa). Mas se é verdade que o tempo, como dizia Cazuza, não para, pelo menos respeita as belas mulheres que envelhecem bem, como Catherine./ L.C.M.

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