Astro de Gossip Girl agora só quer saber de cinema

Ao lembrar a importância da série em sua carreira, Penn Badgley diz que foi "uma revelação" ser Jeff Buckley em novo filme

IAN SPELLING , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2013 | 02h10

Para um ator, poucos sonhos são mais acalentados do que conseguir um papel regular numa série de sucesso na TV... e poucos pesadelos são mais inquietantes. Estrelar um seriado faz com que um ator se estabilize financeiramente, mas também pode condená-lo a interpretar sempre os mesmos personagens típicos, como o que representou em Gossip Girl.

Para cada Clint Eastwood ou George Clooney que, revelados numa série de sucesso, conseguem um sucesso maior ainda em outras áreas, há um Bill Cosby, Jennifer Aniston ou Jerry Seinfeld, que praticamente não escapam à sua persona consagrada na televisão.

Para Penn Badgley, que milhões de telespectadores conhecem como o Dan Humphrey do seriado, o antídoto à maldição da TV foram vários filmes indie. Interpretar uma variedade de personagens - nenhum deles como Dan - em trabalhos não convencionais como Margin Call (2011), Periods (2012) e Greetings from Tim Buckley e Parts per Billion, permitiu que provasse que ele é muito mais do que "o cara de Gossip Girl". "Meu coração pertence aos filmes indie", afirma Badgley.

"Gossip Girl foi uma faca de dois gumes. Uma chance incrível. Na realidade não me preocupo em evitar o estigma que costuma marcar tantos atores jovens de TV. Muitas vezes ficamos conhecidos por determinada imagem e por aquilo que as pessoas pensam de nós, mas fazer Greetings from Tim Buckley, por exemplo, foi como uma revelação, porque não era o comum naquele mundo, nem com aquela frequência. E na realidade é disto que o filme trata em parte. Então vou continuar procurando projetos nos quais a questão da imagem seja irrelevante."

Greetings from Tim Buckley é a história de um pai e seu filho que nunca se conheceram realmente. De fato, o filme de Dan Algrant, baseado em fatos reais, explora separadamente as vidas dos dois Buckley. Tim (Ben Rosenfield) foi um respeitado trovador que abandonou a família, enquanto Jeff era um músico que lutava para sobreviver e conquistou a fama quando - no Brooklyn, em 1991 - participou de um show em homenagem ao pai, morto em 1975 de overdose, aos 28 anos. Jeff Buckley, muito promissor segundo fãs e críticos com seu álbum Grace, de 1994, morreu afogado em 1997. Tinha apenas 30 anos.

Falando por telefone do seu apartamento no Brooklyn, Badgley, de 26 anos, nascido em Baltimore, lembra que, quando adolescente, se encantava com Buckley. "Ele me inspirou a tocar guitarra", ressalta ainda.

Badgley sabia que os fãs de Jeff Buckley seriam muito críticos e exigentes em relação à sua atuação. E ele levou extremamente a sério a responsabilidade, o carma de interpretar um artista, uma figura amada pelo público, que havia morrido.

"Quando acabou, quase disse: 'Graças a Deus!, não vou fazer isto de novo'", conta, rindo. "É engraçado; acabo de receber um roteiro para interpretar James Dean num filme biográfico. Eu garanti: 'Não vou fazer isto de novo', porque, quem foi o ícone mais reverenciado do que Jeff Buckley? James Dean. Então não vou fazer mesmo." / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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