Asterix e Obelix fazem 50 anos e ganham novo livro

O desenhista revelou que livro começa com saída de Asterix e Obelix, 'que se esqueceram do aniversário'

Lusa,

08 de outubro de 2009 | 15h50

Foto: Reuters

 

Asterix, o irredutível gaulês, completa este mês 50 anos, data que será comemorada com o lançamento de um novo livro e de várias outras iniciativas anunciadas nesta quinta-feira, 8, em Paris, pelos autores e editores da série.

 

O desenhista Albert Uderzo, um dos dois criadores do famoso herói de quadrinhos francês, e Anne Goscinny, a filha do roteirista René Goscinny, morto em 1977, falaram sobre a longa história de Asterix em um auditório da Biblioteca Nacional François Mitterrand.

 

O ponto central das comemorações é a publicação simultânea, em 22 de outubro, em 19 países europeus, do álbum "Livre D'Or" (em Portugal, "O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro"), com uma tiragem total de 3,5 milhões de exemplares.

 

"É um livro diferente. Não tem uma história com princípio, meio e fim", explicou Albert Uderzo a jornalistas.

 

Selos comemorativos. Foto: Reuters

 

O desenhista revelou somente que o livro começa com a saída de Asterix e Obelix, "que se esqueceram que faziam aniversário e foram caçar javalis para a floresta".

 

Na aldeia, porém, a data não foi esquecida e o chefe organiza as comemorações do aniversário, convidando para a festa "todos os personagens dos 33 álbuns de Asterix", que estarão presentes ou, de algum modo, respondem ao chamado.

 

Ao lado de Goscinny e, depois, sozinho, Uderzo criou um universo de 400 personagens ao longo dos 50 anos de vida de Asterix.

 

Com 325 milhões de cópias vendidas e traduções para 107 línguas e dialetos (incluindo o mirandês, como foi lembrado pelo apresentador da sessão nesta quinta), "Asterix é um monumento e pertence ao patrimônio francês", afirmaram os responsáveis da editora Albert René.

 

"Asterix faz parte do nosso DNA", reforçou um dos editores da famosa série.

 

Uderzo lembrou do dia em que o general Charles De Gaulle, presidindo um conselho de ministros, "começou a chamar cada membro do governo por nomes de personagens dos livros de Asterix. E eles iam respondendo, reconhecendo-se, 'presente', 'presente'…".

 

"Foi um dos ministros que nos contou isto no saguão do Olympia. É uma história verdadeira, apesar de, na época, ter sido depois desmentida para não criar embaraço ao chefe de Estado", explicou Uderzo.

 

A vida de Asterix também foi marcada por outras memórias, como a morte prematura de Goscinny, aos 51 anos "devido a um erro médico", recordou nesta quinta-feira a filha do roteirista, em coletiva emocionante com Uderzo.

 

"O meu pai deixou muitos 'órfãos' quando morreu. Claro está, eu própria, e seria obsceno falar aqui do sofrimento da minha mãe", disse Anne Goscinny.

 

A filha de Goscinny lembrou que a mãe "morreu 17 anos depois, quando atingiu também 51 anos, como se não quisesse ser mais velha do que o marido".

 

"Trinta e dois anos depois, e muitos anos no psicanalista, ainda não recuperei e não sei se, algum dia, chegarei a isso", admitiu Anne Goscinny.

 

"A aldeia de Asterix, no entanto, não morreu e sobreviveu graças à coragem de Uderzo", afirmou.

 

Uma exposição, a primeira, de originais de Uderzo e Goscinny no Museu de Cluny e uma grande "ação-surpresa" em vários monumentos de Paris, no dia 29 de outubro, também foram anunciadas nesta quinta-feira, 8.

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