Associação que processa Porta dos Fundos reza 'contra comunismo e globalismo'

Associação que processa Porta dos Fundos reza 'contra comunismo e globalismo'

O Centro Dom Bosco é formado por católicos leigos 'que desejam ter uma vida de oração e estudo para a defesa da fé na sociedade'; ali são oferecidas aulas presenciais e online, e a entidade se mantém com doações

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2020 | 16h28

RIO — Toda sexta-feira reza-se um rosário "pela santificação do clero, pelos Centros da Liga Cristo Rei, contra o comunismo e contra o globalismo” na sede do Centro Dom Bosco (CDB), entidade que tenta na Justiça tirar do ar o especial de Natal do Porta dos Fundos. O grupo católico ultraconservador  ocupa um andar em um prédio comercial no Centro do Rio. Ali oferece de cursos e palestras a livros sobre a religião católica.  Na quarta, o presidente do Centro Dom Bosco, o advogado Pedro Affonseca, em entrevista a Reuters TV, criticou duramente o especial de Natal do Porta dos Fundos e chamou a equipe de atores e produtores de “moleques”. 

 “O que esses moleques – e penso que esse adjetivo é até pouco pelo que fizeram e fazem há alguns anos, são mais de 40 vídeos ofensivos a Deus e à fé católica – fizeram é um ato que atenta contra Deus, contra a fé católica, contra os fieis católicos, mas também contra o Brasil. O Brasil que é um País católico na sua origem, que existe graças à fé católica”, afirmou Affonseca. “O que esses pseudo-humoristas, esses moleques fizeram, é algo que atenta contra o Brasil, contra a cultura brasileira, contra o povo brasileiro.”  

O Estado esteve na sede do CDB na manhã desta quinta, 9. Dois funcionários da instituição receberam a reportagem com cordialidade, mas se negaram a dar qualquer tipo de declaração sobre a ação movida contra o Porta dos Fundos. Disseram ainda que não estavam autorizados a permitir fotos do local – o hall de entrada é formado por paredes brancas praticamente sem nenhuma decoração, enquanto prateleiras dispostas pela sala exibem livros, alguns dos quais produzidos por editora própria.

O grupo é formado por católicos leigos “que desejam ter uma vida de oração e estudo para a defesa da fé na sociedade”. São oferecidas aulas presenciais gratuitas – incluindo de latim, língua morta que era usada em missas católicas décadas atrás – e também aulas online. A entidade se mantém com doações, que podem ser feitas através de plataformas de crowdfunding. As informações sobre a associação são divulgadas em folder com fotos coloridas.

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