Associação discute os dilemas do crescimento

Painel vai reunir representantes de TVs pagas, que esperam chegar ao fim do ano com aumento de 15% de público

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2013 | 02h10

Quem passa pelo teste de paciência esperando o atendimento por telefone para resolver um problema com a operadora de TV por assinatura pode achar que é apenas vítima do descaso da empresa. A falta de eficiência, que tanto irrita quem está sem sinal, alia-se ao crescimento do número de clientes, um dos resultados do aumento crescente de clientes desse tipo de serviço, cujas consequências serão discutidas no congresso da Associação Brasileiras de Televisão por Assinatura (ABTA), entre 6 e 8 de agosto, em São Paulo.

Segundo a entidade, entre janeiro e maio deste ano, 800 mil pessoas começaram a ter TV por assinatura no País, que, até o semestre passado, tinha 17 milhões de assinantes, entre os diferentes tipos de serviços, como cabo e antenas, uma fatia de 30% dos lares brasileiros. "O crescimento esperado (até o fim do ano) é de 15%. Poucos setores da economia registram crescimento de dois dígitos. É mais do que o Produto Interno Bruto", compara Oscar Vicente Simões de Oliveira, presidente executivo da ABTA.

Um dos painéis do evento, com profissionais dos canais Globosat, YouTube e da Net, falará sobre a oferta de conteúdo sob demanda e plataformas over the top - conteúdo oferecido fora do que está na programação regular na TV, exclusivamente para os serviços sob demanda, como o canal de arte Philos, por exemplo. A popularização de produtos como Now e Netflix, em que o espectador vê o que desejar na hora em que quiser, sem depender mais do horário em que determinado programa é exibido, é dos assuntos em que as empresas de televisão estão de olho.

"Vemos como uma complementaridade, não como ameaça. Há espaço para todos, mas ainda não temos um mercado maduro", defende Oliveira. De acordo com ele, a mudança no comportamento de quem vê TV pode trazer novidades para os telespectadores tradicionais. "Quanto mais ampliarem a banda larga, novos produtos virão. Quem ganha é o consumidor", afirma ainda.

O aumento recente no número de assinantes por aqui não significa uma redução imediata do preço. "Nossa principal preocupação são as pressões de custo e o aumento de impostos e taxas", explica o presidente da ABTA. Segundo dados da pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o preço médio de um pacote básico no País é de US$ 23,25, em comparação com o restante do mundo. Numa lista de 49 nações, o Brasil fica em 27.º lugar, em um ranking que aponta a Nova Zelândia como o lugar onde se paga mais caro e a Índia com o pacote mais em conta.

Outro assunto debatido no congresso será o conteúdo da TV paga, em que parte da produção tem sido financiada com recursos públicos. Desde que a lei 12.485, que obriga os canais pagos a exibir uma cota de conteúdo brasileiro, entrou em vigor, o Fundo Setorial do Audiovisual liberou cerca de R$ 1 bilhão para alimentar o mercado nacional de TV. Na mesa, sob a mediação da colunista do Estado Cristina Padiglione, executivos de programadoras, como Discovery e Viacom, contarão como estão trabalhando para cumprir as cotas.

Entre as questões do evento estão ainda o peso das atrações de esporte na programação das emissoras e a TV everywhere, conteúdo produzido para dispositivos móveis.

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