Associação Brasil 500 enfrenta fornecedores

Com o fim da Mostra do Redescobrimento, no domingo, começou uma segunda batalha para os organizadores do evento: negociar com cerca de 30 pequenos fornecedores e prestadores de serviços uma saída para o pagamento de dívidas contraídas pela Associação Brasil 500 Anos durante os quatro meses da exposição."Não me recebem, não me pagam", reclamava hoje a empresária Andrea Werneck, da Pasta, Patê & Cia., empresa com 17 funcionários que forneceu lanches para a mostra durante os quatro meses de sua realização - cerca de 400 lanches no total. Andrea estava há duas horas na porta do departamento financeiro da associação, buscando uma solução para o pagamento de R$ 300 mil."Fiquei aqui ontem duas horas, mas não tive sucesso também", afirmou. "Se não me pagarem, é óbvio que vou quebrar, porque eu lido com comida, pago meus fornecedores à vista", ela pondera. Andrea protestava também porque a associação cobrava pelos lanches das escolas particulares (o preço do ingresso por aluno era de R$ 6,00, com lanche, e de R$ 2,50, sem lanche).Os problemas da associação com os fornecedores são justificados como produtos e serviços prestados "de forma defeituosa e viciada", segundo carta do advogado da instituição Luciano Lamano, enviada ao Estado em 28 de julho.Edemar Cid Ferreira, presidente da ex-Associação Brasil 500 Anos, afirmou que a empresa é apenas uma das três que forneceram os lanches distribuídos durante as visitas escolares. "E ela é a única das três que está sob auditoria por apresentar problemas de preço e de volume", declarou Edemar.Raul Félix, diretor financeiro da associação, explicou que o pagamento devido à empresa já está sendo efetuado. "Aliás estamos terminando de quitar essa dívida." Segundo ele, a Pasta, Patê & Cia faturou contra a associação R$ 639.640, 00, dos quais R$ 450 mil foram quitados. "Estamos devendo apenas a entrega de lanches relativa à última semana de exposição." De acordo com o diretor, a velocidade do pagamento está dentro dos procedimentos normais da associação estabelecidos pela Price Waterhouse, empresa de auditoria.Apesar de considerar a maior parte dos serviços prestados como "viciados", a associação não pode abrir mão de alguns desses serviços cujas empresas estão em litígio com a instituição. Foi o caso, por exemplo, da Stage Productions. Ontem, um juiz da 12.ª Vara Cível da Capital deu prazo de 24 horas para que a associação depositasse em juízo, em nome da empresa Stage Productions, a quantia de R$ 212 mil.O problema é que a Stage, que cedeu equipamentos de iluminação cênica para a mostra, queria retirar seu equipamento após o término da exposição. Os organizadores não permitiram a retirada, alegando que poderia causar prejuízos às obras. "Só com a retirada total das obras é que será possível mexer na estrutura", afirmou Luciano Lamano, advogado da associação."É mais ou menos quando alguém pega seu carro emprestado e, quando você vai pegar de volta para visitar sua sogra em uma cidade distante, ele diz que está preso na garagem", diz João Walter Leite da Silva, advogado da Stage Productions. "O que o juiz determinou é equivalente a determinar que a pessoa que pegou o carro emprestado autorize que se alugue um outro veículo igual para que o sujeito possa ir até a casa da sogra", esclarece.Ou seja: enquanto o equipamento está sob uso no Ibirapuera, a empresa Stage teve de alugar outro equipamento para continuar prestando seus serviços. Ainda assim, o advogado da associação, Lamano, considera que o valor arbitrado para "alugar o outro carro" está muito acima dos valores de mercado.A Mostra do Redescobrimento apresentou na quarta-feira os seus números finais. Segundo Edemar Cid Ferreira, a exposição arrecadou em bilheteria e venda de catálogos cerca de R$ 4,5 milhões - apenas 10% do valor total da mostra. O evento recebeu R$ 3,6 milhões do Ministério da Cultura e o restante foi patrocinado por empresas privadas. Dos R$ 45 milhões do custo total da mostra, apenas 30% vieram por meio das leis de incentivo.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2000 | 17h29

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