Assinatura nova

Uma geração de curadores jovens vem surgindo no circuito de arte em São Paulo

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2011 | 00h00

Alguém de 17 anos faz vestibular para ser curador de exposições? "Sim e a cada ano temos mais candidatos jovens, o que me espanta também", diz Elaine Caramella, criadora e coordenadora do único curso brasileiro de graduação em crítica e curadoria, que a PUC de São Paulo oferece desde 2008. Entre os interessados na disciplina, apenas 30% já são formados em outras áreas. A era da curadoria não começou agora, mas é nesse momento, "com bienais no mundo inteiro e feiras todos os dias", como diz Elaine, e com um mercado de arte brasileiro aquecido, que o circuito parece conclamar por novos olhares, o que inclui novos curadores. E eles estão surgindo.

"Tenho recebido muitos convites para fazer curadoria", afirma a paulistana Luiza Proença, de 26 anos. "No campo institucional e mercadológico tem uma demanda reprimida porque são sempre os mesmos nomes na mesa", afirma o também paulistano Paulo Miyada, de 25 anos. A afirmação confirma os dados de uma pesquisa recentemente realizada para o banco de dados do Itaú Cultural. Nela foi comprovado que nos últimos 10 anos sempre os mesmos curadores estiveram envolvidos nas exposições apresentadas no período: um "bloco bem definido" e com "pouca variação de nomes", indicou o estudo, foi o responsável pelas mostras da primeira década dos anos 2000 - entre os mais citados, por exemplo, estão Fernando Cocchiarale, Tadeu Chiarelli, Paulo Herkenhoff, Diógenes Moura, Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos.

Nesse contexto, Luiza Proença e Paulo Miyada, além de jovens, têm em comum o fato de serem parte de uma nova geração de curadores que desponta recentemente em São Paulo. Atualmente, ambos integram a equipe de curadoria da atual edição do programa Rumos de Artes Visuais do Itaú Cultural, projeto que tem como objetivo mapear e "descobrir" novos artistas em todo o Brasil. Além disso, participam de trabalhos em outras instituições como o Paço das Artes, Museu de Arte Contemporânea da USP, a Fundação Bienal de São Paulo e o Instituto Tomie Ohtake. Aqui e ali eles vão dando seus passos, mesmo que tenham entrado no "ramo" quase por acaso, como contam.

Num circuito em que assinatura é (quase) tudo, "cheio de egos", diz Elaine, novos curadores vão começando a fazer seus nomes. Chega então um momento em que eles contribuem para que se possa abrir ou não portas para o frescor.

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