Ulises Rodrigues/ Reuters
Ulises Rodrigues/ Reuters

'Asco' expõe as mazelas de uma sociedade moralmente falida

Livro integra a coleção Otra Língua (ed. Rocco), destinada à literatura latina de língua espanhola

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2013 | 02h07

Em 1997, quando visitava um amigo poeta na Guatemala, o escritor salvadorenho Horacio Castellanos Moya recebeu um telefonema aflito de sua mãe - assustada, ela dizia ter recebido duas ligações na qual um homem garantiu que mataria o autor por causa de um romance curto que ele publicara uma semana antes. Tratava-se de Asco, um dos dois títulos com que a editora Rocco inicia sua coleção Otra Língua, destinada à literatura latina de língua espanhola.

Escolha oportuna - se o outro livro, Deixa Comigo, do uruguaio Mario Levrero (1940- 2004), é uma deliciosa ironia às penúrias de seu país, Asco se inspira na prosa biliar do austríaco Thomas Bernhard (1931-1989) para expor o comodismo e as mazelas de El Salvador. Ódio e ressentimento dominam o encontro de um escritor, Edgardo Vega, que volta depois de 18 anos de exílio para o enterro da mãe, e seu velho amigo Moya. "San Salvador é horrível, e as pessoas que moram aqui são piores, é uma raça podre, a guerra transtornou tudo", diz Vega, em um discurso à la Bernhard, ou seja, praticamente sem pontos finais.

"Moya é um realista visceral, para brincar com a definição de Bolaño em Os Detetives Selvagens, e faz uma ficção profundamente comprometida. É política, porém mordaz", analisa Joca Reiners Terron, organizador da coleção. "Já Levrero fez de tudo, de paródias de policiais, como em Deixa Comigo, a palavras cruzadas."

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