Asas nos pés

A mais fashion das marcas de sapatos de plástico abre galeria em NY, a primeira no exterior

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h11

Há alguns meses, em passagem pelo Brasil para participar da Mostra de Cinema de São Paulo, a atriz portuguesa Maria de Medeiros, entre uma entrevista e outra, deixou escapar: "Tenho de achar tempo para comprar meus sapatos brasileiros."

Imediatamente os jornalistas presentes olharam para os pés da atriz, que calçava um par de Melissas pretas de salto. "Moro em Paris, onde há todo tipo de sapato, mas este é diferente. É fashion demais. E ainda que haja algo parecido à venda por lá, aqui encontro centenas de modelos."

De fato, por ora, Maria e outras fãs dos famosos sapatinhos de plástico terão de viajar para cá para conferir a maioria dos modelos lançados pela marca, que hoje já batiza o gênero. Mas, em compensação, quem passar por Nova York poderá se esbaldar na Galeria Melissa, primeira no exterior.

Assim como mostrou Maria, essa paixão transcende idade e classe social. Nos últimos anos tem transcendido culturas. Com a crescente exportação dos brasileiríssimos calçados de plástico para mercados dos EUA, da Europa e Ásia, as estrangeiras começaram a tomar gosto pela melissaria.

Há pouco mais de um mês, essa internacionalização ganhou seu primeiro ponto fixo na Big Apple. E o que se viu na noite de inauguração do endereço, no descolado bairro do Soho, foi uma legião eclética de melisseiros (como são chamados os fãs da marca). A lista de convidados que passaram para conferir a loja-conceito (que, assim como a de São Paulo, sempre vai contar com uma instalação de algum artista) incluía de Jason Wu (estilista de Michelle Obama) a Marc Jacobs, passando por Alessandra Ambrósio e Dita Von Teese.

Finalizada a festa, ficou o desafio de entender como funciona o público internacional. Durante este mês, os profissionais da Grendene (que 'inventou' a marca Melissa) puderam pela primeira vez sentir como "vendedores diretos" o que literalmente vende mais no exterior. "Ainda que o principal objetivo da Galeria não seja vender, mas sim passar nossos valores, é um termômetro para se entender o gosto estrangeiro", contou Edson Matsuo, diretor criativo da marca que, ao lado dos arquitetos Domingos Pascali e Moema Wertheimer, criou o projeto da nova loja. "Se no Brasil o produto ganhou toque afetivo, já que muitas garotas que compram hoje em dia têm mães e até avós que também usaram Melissa na infância, as estrangeiras não têm essa memória. Lá fora, o que tem mais chamado atenção são os modelos criados em parceria com designers internacionais renomados."

Por nomes renomados entenda-se Vivienne Westwood, Jean Paul Gaultier, Jason Wu, Gaetano Pesce, Zaha Hadid, Karim Rashid, os irmãos Campana. "É uma alegria trabalhar com a marca. A gente vê a nossa obra disseminada com muito charme e estilo. Essa é a maravilha do plástico! Ele é generoso", declarou Humberto Campana que, com o irmão Fernando, criou um dos modelos que nunca saem de moda, e de linha: a Melissa Zig Zag. Entra ano, sai ano, e a simples e genial sapatilha de fios de plástico entrelaçados é campeã de vendas. "Tentamos derrubar a Zig Zag de todos os jeitos. Finalmente, com a nova Melissa Papel, vamos conseguir", brinca Matsuo, que estuda, ao lado de sua equipe e de Paulo Pedó, gerente de operações, a criação de um Acervo Melissa.

Isso porque, além dos pedidos das brasileiras por vários modelos que saíram de linha, a atenção do consumidor internacional para as parcerias com designers renomados confirmou que, de fato, alguns modelos nunca sairão de moda. "A ideia é renovar as coleções estação a estação, mas uma Melissa dura muito mais. Além da Aranha, várias se tornaram clássicas."

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