As sutilezas suingadas de Pipo

Mais do que o promissor Intro (2008), o segundo álbum do paulistano Pipo Pegoraro, Taxi Imã, é engenhoso nas sutilezas e no suingue, no jeito cativante de interpretar as próprias canções, combinação que se identifica na música de cantautores como Péricles Cavalcanti, Celso Fonseca e Itamar Assumpção e em grupos pop-rock brasucas como Novos Baianos.

LAURO LISBOA GARCIA, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2011 | 03h06

Produzido por Bruno Morais e por Pipo, o CD é pleno de arranjos inventivos e fluentes nas mãos de músicos destacados da cena paulistana atual como Marcelo Dworecki (baixo), Décio 7 (bateria), Bruno Buarque (bateria e percussão), Kiko Dinucci (violão), Guilherme Kastrup (percussão), Daniel Gralha (trompete), Maurício Fleury (piano e órgão) e outros cerca de 20, além de Pipo, que toca guitarra, charango e viola.

Luisa Maita empresta sua voz sinuosa para Samambaia. Pipo, que entre um álbum e outro criou a trilha sonora do filme Duplo Território, de Rogério Corrêa, também abre espaço para um belo tema instrumental, Graveto. Uma das melhores faixas é Beleza, exemplar na "simplicidade sofisticada" melódica e com letra imagética/poética, que ressalta o poder de síntese da escrita do compositor.

É o que exemplifica o que Bruno Morais diz sobre um "disco que pode ser ouvido como se assiste a um filme" - é o táxi em movimento, o ímã que atrai. A sensacional Arapuê traz influências do afrobeat de Fela Kuti. Antes de cair no reggae em Rastro, Pipo sintoniza o romantismo popular com tal graça na jovem-guardista Radinho, que com Beleza, não há como evitar tocar de novo. Não por acaso o poeta Luiz Galvão (Novos Baianos) discorre enfaticamente sobre a musicalidade de Pipo, que é uma "rica salada com as doces frutas com Cuba vestida de Nigéria", "Brasil e Disneylândia".

PIPO PEGORARO

TAXI IMÃ

Yb Music. Preço: R$ 20 (www.popsdiscos.com.br)

ÓTIMO

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