"As Roupas do Rei" é destaque do teatro infantil

É raro surgir um autor de teatroinfantil. Ainda mais raro é surgir um bom autor de teatroinfantil. Com As Roupas do Rei, em cartaz no Teatro CacildaBecker, na Lapa, em São Paulo, Cláudia Vasconcellos, a autora,chega para ficar. Seu texto vem com um atestado de bomantecedente: venceu em 2001 o Concurso de Textos TeatraisInéditos, do Ministério da Cultura.A peça se passa em um quintal em que um menino brinca deskate enquanto a lavadeira da casa estende roupas no varal. Háum jogo constante entre realidade e fantasia, que instiga opúblico de forma inteligente. A lavadeira se diz empregada de umpoderoso rei, o menino acredita e ela vai levando a história auma riqueza de detalhes que encanta e prende a atenção do garotopor toda a tarde (e da platéia por todo o tempo de duração doespetáculo)."Foi assim?", pergunta o menino, a cada fim de relatoda lavadeira. E ela invariavelmente responde: "Mais ou menosassim." Quando a mulher vai falar das tristezas e dos problemasdo rei, mostra manchas de lágrima ou de sangue no lenço dopatrão. Há um casamento harmonioso entre o texto de Cláudia e asidéias de Laura Carone para o figurino e a cenografia. No começo, as roupas do rei estão no varal. No fim, são as roupas domenino, confirmando o clima de mistério e encantamento que aautora sustenta até o fim: todo menino é um rei.Cláudia teve a sorte de contar com o talento da diretoraCristina Lozano, que embarcou por inteiro na proposta do texto ecuja concepção do espetáculo enriquece ainda mais os jogospropostos pela autora. E Jacqueline Obrigon, como a lavadeira,esmera-se na composição de sua personagem, usando com muitotalento a versatilidade de seu tom de voz. Não perca.As Roupas do Rei. Sábados e domingos, às 16 horas. R$6,00 (preço único). Teatro Cacilda Becker. Rua Tito, 295, Lapa,São Paulo, tel. 3864-4513. Até 15/12.

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