As origens de uma arte sem tema

É possível que o termo construtivismo tenha sido cunhado pelo vanguardista russo Vladimir Tatlin ao montar "construções para cantos de parede" em 1914, mas o teórico George Rickey, autor de um livro fundamental sobre o tema (Construtivismo - Origens e Evolução, lançado pela Cosac Naify em 2002) tem lá as suas dúvidas sobre a origem do termo, cuidadosamente substituído por "construtivo" pelo colega revolucionário de Tatlin, Naum Gabo.

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Tornado popular nos anos 1920, o movimento identifica artistas alinhados a uma tendência não-figurativa, como eram os pioneiros abstratos russos do período pré-revolucionário (Tatlin, Rodchenko, Gabo e Malevitch). Com a evolução da linguagem construtiva e o advento de outros importantes movimentos de arte abstrata na Europa (o neoplasticismo de Mondrian, a arte concreta), o construtivismo cruzou fronteiras e chegou finalmente aos Estados Unidos nos anos 1930.

Lá, o construtivismo seduziu grupos como o American Abstract Artists, que promoveu a arte abstrata e difundiu teorias desenvolvidas por artistas de movimentos vanguardistas como a post-painterly abstraction (termo criado em 1964 pelo crítico Clement Greenberg para definir a pintura de Ellsworth Kelly e Kenneth Noland).

Rickey lembra que, no fim do século 19, alguns já imaginavam uma arte sem tema e isenta de compromisso figurativo, citando a obra do escultor e arquiteto alemão August Endell (1871-1925), que preconizou em 1890 uma arte com formas livremente inventadas. No Brasil, essas formas abstratas só aportaram por volta de 1951 com a 1.ª Bienal.

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