As missões do novo presidente da APL

A queda do teto da Academia Paulista de Letras (APL), em janeiro de 2007, foi notícia preocupante, mas teve inesperados resultados positivos. Depois de uma infiltração fazer ruir o telhado do prédio no Largo do Arouche, os imortais puderam centrar esforços numa movimentação iniciada pelo jurista Ives Gandra da Silva Martins durante sua gestão como presidente da instituição (2004-2006) - a aproximação da APL com a sociedade.

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

"Quando o teto caiu, tivemos de ir para a rua, fazer reuniões fora, e aproveitamos para estreitar laços com colégios, secretarias e entidades", diz o advogado e cronista Antonio Penteado Mendonça, articulista do Estado e do Jornal da Tarde e comentarista da Rádio Eldorado.

Titular da cadeira 32 desde 2004, Mendonça foi eleito na última quinta-feira presidente da APL para o biênio 2011/2012, com a missão de dar continuidade a essa inserção da academia na sociedade. Substitui o desembargador e professor José Renato Nalini (2006-2010), de quem era secretário-geral. Numa inversão de papéis, Nalini agora responde pela secretaria-geral.

Mendonça assume a presidência com ao menos dois grandes projetos previstos para 2011. O primeiro é a ampliação do Prêmio Escritor na Escola, parceria com a Secretaria de Estado da Cultura que neste ano agraciou alunos de duas escolas da rede estadual, concorrendo com textos nas categorias poesia, conto e crônica. "Pretendemos passar a cem escolas. É um salto grande. De um universo de poucos milhares de alunos vamos a quase 100 mil. E com sofisticação, haverá grupos de trabalho e workshops nas escolas, levados por imortais como Lygia Fagundes Telles e Ignácio de Loyola Brandão." Outro projeto, com a rede municipal, terá como cenário muros nos bairros de Alto da Boa Vista e Brooklin. "Alunos vão fazer antologias de autores brasileiros, do século 19 e da primeira metade do 20. Os ganhadores terão suas antologias escritas nos muros e receberão R$ 5 mil cada um", afirma Mendonça.

Para o novo presidente, a recente eleição do cartunista Mauricio de Sousa para a cadeira 24 da APL é mais uma prova desse encontro com a sociedade. "Ele está entusiasmado, quer levar crianças para conhecer a academia. A ideia é ter cada vez mais nomes de áreas da cultura e da ciência para a APL ser a mais plural possível", diz o advogado, lembrando que a sede - já reformada e tombada pelo Condephaat desde maio de 2009 - é aberta ao público, bastando apenas marcar horário antes.

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