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As melodias que ainda ecoam

Jonathan Pierce, do The Drums, fala ao Estado sobre o seu fascínio com o pop dos anos 50 e 60

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2011 | 00h00

Na era dos revivals, cada um descobre o próprio nicho de nostalgia. A incensada banda do Brooklyn The Drums escolheu uma mescla de The Cure e The Smiths com o pop do início dos anos 60, época em que os girl groups dominavam as paradas e os Beach Boys lançaram a febre do pop praiano. Dos ingleses vêm as guitarras e baixos minimalistas. Dos americanos, a simplicidade das letras e a inocência da proposta musical. Era mais ou menos o que Jonathan Pierce tinha em mente quando sua banda Elkland foi contratada pela Columbia em 2005, durante a corrida para achar os próximos Franz Ferdinands e Killers. A banda não deu certo. Pierce tirou todo o excesso e acertou a mão com os Drums, que tocam hoje no Estúdio Emme. A seguir, o cantor fala ao Estado sobre moda, o Brooklyn e seu fascínio por canções antigas.

Muito se fala da influência dos Smiths na música de vocês. Mas sua banda também faz parte de uma onda que se baseia no pop dos anos 60. Quais são as referências?

As pessoas falam dos Smiths porque é a mais famosa das bandas que nos influenciam. Mas também curtimos muito Orange Juice e The Wake, que são menos conhecidas. Quanto aos anos 60 e 50, eu ouvia muitos girl groups quando era jovem. Meu avô gostava de uma banda que era horrível, mas tocava todas as músicas das Shangri-las, das Ronettes, das Crystals. Eu fiquei fascinado por essas canções, são algumas das melhores de todos os tempos. As formas delas são tão concentradas. Tudo é decupado para ser o mais simples possível. É um belo exemplo do que se pode fazer com tão pouco, com letras e acordes muito simples.

Você acha que, por serem tão boas, essas músicas fariam sucesso se fossem feitas hoje em dia?

O Top 40 de hoje em dia é vergonhoso e constrangedor, ao menos na América. Eu não acho que alguém pode dizer que há um teco de sinceridade no que está lá. Para mim, as músicas mais bonitas e mais tocantes, essas que eu ouvia quando era criança, são muito sinceras. Os girl groups não compunham nem produziam a própria música. Havia todo um time de pessoas que fazia isso, assim como hoje em dia. As canções eram fabricadas em linha de montagem para o consumo das massas, e mesmo assim eram maravilhosas. Quando falo de meu amor pelo pop, não estou falando do gênero. É um certo estilo de compor. Acho que muitas dessas músicas não veriam a luz do dia nos anos 2000.

Você foi criado em uma família extremamente religiosa. Qual foi o impacto disso na sua arte?

Os meus pais eram pastores em uma igreja pentecostal e eu fui criado de forma rígida. Não podia ouvir nada além de música de Igreja. Mas isso era o menor dos meus problemas e, como eu era adolescente, eu dava um jeito de ouvir o que gostava. Assim, quando descobri os Smiths, aos 17, foi um evento muito importante para mim. Eles me acordaram de um longo sono.

Sempre existe alguma cobrança da cena e de músicos do Brooklyn para se fazer algo que inove. Como é fazer um tipo de música retrô, que vai contra estas tendências?

Estou mais interessado em Manhattan agora. Faz tanto tempo que não sai uma boa banda daqui. Mas há algumas cenas no Brooklyn em que todos tentam ser o mais vanguardista, ou o mais esquisito possível. Parece uma competição: quem consegue fazer isso ou aquilo primeiro. Claro que queremos ser percebidos, mas às vezes as coisas antigas, as receitas que funcionam há décadas, são as melhores. Isso nunca muda. Será assim para sempre. Não que não estejamos experimentando coisas novas no novo disco.

As calças pula brejo e o corte de cabelo cumbuquinha dão aos Drums um visual característico. Vocês estão em vários blogs de moda. Pensam bastante no visual da banda?

Usamos essas roupas a vida inteira, mas, ao mesmo tempo, tentamos ser consistentes. Não somos muito ligados em moda, mas uma banda como os Ramones tem um certo look e você sabe exatamente quem eles são. Isso é muito legal para os jovens, e como nos considerávamos crianças também, eu sempre me admiro quando vejo uma banda que tenha uma imagem específica, que não apareça para o show de jeans e camiseta, com uma barba malfeita e uma bateria eletrônica. Eu sou obcecado com o espetáculo pop. Os Zombies, por exemplo, eram amados e tinham um look muito distinto. As roupas dos girl groups combinavam. Isso é tão pop para mim e nos ajuda a não morrer de tédio. A vida é tão louca, que a música pode ser simples e doce.

THE DRUMS

Estúdio Emme. Avenida Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros, telefone 3031-3290. Hoje, às 21 h.

R$ 80/ R$ 120.

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