As maluquices criativas de Sombra

MC paulistano que despontou nos anos 1990 ao lado do SNJ traz vigor ao rap em seu segundo álbum solo

LUCAS NOBILE, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2013 | 02h18

De uns anos para cá, um dos gêneros que mais têm trazido frescor e vigor para a música brasileira é o rap. Neste sentido de apresentar algo novo - e dando continuidade à história construída por tantos MCs nacionais -, o cara da vez é Sombra, com Fantástico Mundo Popular.

Lançado em agosto, o álbum tem seu show de estreia neste sábado na choperia do Sesc Pompeia, com participações de Black Alien e de RAPadura.

Nascido na zona norte de São Paulo, Jorge Antonio Andrade de Jesus Santos, o Sombra, formou-se no cenário do hip-hop nacional na década de 1990, ao lado do SNJ, um dos grupos de rap mais respeitados do País. Em 2000, dividiu o microfone na faixa Cocaína no antológico disco Rap É Compromisso, de Sabotage (1973-2003). Oito anos depois, lançou seu primeiro trabalho solo, Sem Sombra de Dúvidas, com destaque para faixas como Razante Louco, Profissão Perigo e Mano Eu Vou Ali Comprar Um Chá.

Depois de um período fora do SNJ, Sombra retomou os trabalhos com o grupo em 2011, com quem ainda segue fazendo shows, e agora lança seu segundo álbum solo. "O grupo está presente no disco em termos de apoio. Se eu sou esse Sombra deste segundo disco solo, devo tudo a esses 17 anos com o SNJ. Claro que agora tem toda uma particularidade minha, que eu posso falar no meu disco solo, mas estou com o SNJ", diz Sombra, de 37 anos.

Dos quatro aos 12 anos, o rapper morou em Visconde do Itaboraí (RJ), depois, até os 14, viveu em São Gonçalo (RJ), quando retornou para São Paulo. Entre uma mudança e outra, absorveu diversas influências sonoras, do funk carioca ao rap paulistano, passando pela música jamaicana e por inúmeros nomes, como Jorge Ben, Sandra de Sá, Amado Batista, Gilliard, Gal Costa, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Madonna, Michael Jackson e "depois os bailes black e de rap em São Paulo".

Fantástico Mundo Popular, que contou com o apoio do coletivo Matilha Cultural, foi produzido por Marcelo Cabral e por Daniel Bozzio. As dez faixas do disco ainda foram mixadas pelo produtor canadense Scotty Hard (Björk, Arto Lindsay, e Nação Zumbi).

"A primeira vez que vi Viajando na Balada, na MTV, caí pra trás. Quem é esse mano? É um trabalho que eu pararia qualquer um que estivesse fazendo para participar. A ideia era incrementar o som sem mexer muito, respeitando toda a história dele e levando para um outro patamar", diz Daniel Bozzio. "Em nenhum momento a gente pensou em mercado. As rimas e o flow dele são tão malucos, a divisão rítmica é tão maluca, que a gente foi atrás de fazer um negócio maluco também", completa o produtor.

Neste sentido de somar originalidade sonora às maluquices criativas de Sombra, em letras que tratam dos mais variados assuntos (corrupção, crítica social, uso recreativo/medicinal da maconha, entre outros, com muitas figuras de linguagem e humor, sem perder a contundência), o time escalado para dialogar com o MC de Guarulhos foi o seguinte: Marcelo Cabral (arranjos, programação, baixos elétrico e acústico, guitarra e synth), Daniel Bozzio (arranjos, programação e guitarra), Valter Minari (Minari Groovebox, na programação), Thiago França (sax, flauta e EWI), Maurício Badé (percussão), DJ Ajamu (scratches), Daniel Ganjaman (órgão, em Piada Cabeluda) e Kiko Dinucci (guitarra, em Chuva de Gente Estranha).

Dos nomes que participaram compondo refrões e dividindo os vocais com Sombra, estão Rael e Jorge Du Peixe (Nação Zumbi, Los Sebosos Postizos e Afrobombas), em Mano Eu Vou Ali Comprar Um Chá - Parte 2, e o MC cearense RAPadura, em Chuva de Gente Estranha.

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