As invenções de Gismonti e Philip Glass

No Mimo, compositor americano faz concerto cativante, mas abaixo da ousadia do brasileiro

Lucas Nobile / OLINDA, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

A oitava edição da Mostra Internacional de Música em Olinda, a Mimo, recebeu anteontem em sua etapa de concertos - além desta ocorrem os programas educativos e documentários com temática musical - mais uma noite de apresentações equivalentes às anteriores no que diz respeito à qualidade. Os responsáveis por manter o nível qualitativo do festival foram Egberto Gismonti e Philip Glass.

Desde os shows de sexta-feira na mostra, como era de se esperar, a apresentação de maior destaque foi protagonizada por Egberto. Dentre todos os concertos realizados gratuitamente no festival no Seminário de Olinda, nos interiores das igrejas e na parte externa, com senha distribuída e um espetáculo audiovisual nos telões, o show de Gismonti foi o que atraiu maior público no exterior da igreja. Havia gente apinhada, encavalada nas grades que rodeavam a construção.

Durante a passagem de som, era notório o zelo de Egberto em relação à equalização do som para todos que viriam a acompanhar o show. Mesmo em se tratando do equilíbrio sonoro e da distribuição complicada dentro de uma igreja - devido à facilidade em relação ao vazamento e de sobras - os técnicos de som da Mimo se mostraram extremamente eficientes.

Nada disso adiantaria se a música apresentada e a curadoria feita por Lu Araújo e André Oliveira fosse mambembe e incoerente. Com apresentações gratuitas e uma direção de programação competente, a mostra recebeu mais uma vez um show fabuloso de Gismonti, já que esta foi a sexta vez que ele se apresentou na mostra em um total de oito edições. "O que me guia a vir aqui são as oficinas da Mimo, muito mais do que o show em si. Ver os estudantes de música subindo e descendo os morros desta cidade com orgulho é o que motiva. É como no grego a palavra entusiasmo, que quer dizer quando os deuses habitam você, é isso o que me ocorre com a música", disse Gismonti durante sua apresentação.

Com um show de quase uma hora e meia de duração, ele iniciou os trabalhos ao lado de seu filho, o também violonista Alexandre Gismonti. Depois, ao piano, recebeu a violinista Ana de Oliveira, interpretando temas seus como Fala da Paixão e Baião Malandro. De surpresa, o compositor e instrumentista do Rio ainda contou com as participações do pianista André Mehmari (interpretando Palhaço, de Egberto) em um arranjo a quatro mãos, e do bandolinista Hamilton de Holanda, em Karate. De lambuja, Gismonti ainda teve na primeira fila a presença de seu amigo Naná Vasconcelos.

Ali perto, na Igreja da Sé, houve também apresentação de Philip Glass, com grande público do lado de fora da construção. Um concerto cativante, mas notoriamente abaixo da ousadia da música brasileira, mesmo se tratando de um craque como Glass.

Das apresentações da noite de sexta-feira, em Olinda, o grande destaque ficou por conta do Projeto Coisa Fina, no Mosteiro São Bento, preservando a obra do gigante Moacir Santos, além de feras compositoras, como J.T. Meireles e Mozart Terra. Logo após, a big band foi seguida de Alex Tassel, também na Sé. Um show jazzístico e bem recebido pelo público.

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