As horas cariocas de Thaís

Cantora mostra o repertório de seu segundo disco, ôÔÔôôÔôÔ

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Thaís Gulin não merece o aposto maldoso e reducionista de "a namorada de Chico Buarque". Quem conhece sua voz e seu cabelo cor de abóbora só pelo recente CD de Chico ou das revistas e sites de fofoca pode até cair nessa. Mas os que dão mais atenção a seus dois bons CDs do que aos rumos de seu relacionamento amoroso sabem de seus méritos, e a veem como uma interessante novidade que o século 21 trouxe à MPB.

Esta noite, o público paulistano, que não a recebe desde 2008, pode conferir a performance da cantora curitibana carioca no Tom Jazz. O repertório intercala músicas dos dois trabalhos, o primeiro, de 2007, com seu nome, e o segundo, ôÔÔôôÔôÔ, que saiu recentemente.

Chico (Se Eu Soubesse), Tom Zé (Ali Sim, Alice) e Adriana Calcanhotto (Encantada) deram a ela músicas inéditas, vestidas no CD por arranjos que se utilizam das cordas de violões, baixo, banjo, cavaco, viola, guitarra, cello e harpa, e mais sopros, piano, percussão e programações.

As duas primeiras foram apresentadas no show de estreia no Teatro Rival, no Rio, há duas semanas, assim como Horas Cariocas e ôÔÔôôÔôÔ, composições próprias, Água, hit de Kassin, e Cinema Americano, de Rodrigo Bittencourt, e devem se repetir no Tom Jazz.

Foi uma noite tumultuada, tanto por um microfone que insistia em não colaborar como pelo frisson causado pela presença sorridente de Chico. "Onde ele vai tem fotógrafo mesmo", diz Thaís, que não vê por que falar explicitamente sobre o amor dos dois, que se revela nos CDs deles - os lararás lararis de Se Eu Soubesse têm duas versões, com as duas vozes.

"Não tem muito mistério nem o que falar. Tem um lado estranho de já se ter um primeiro disco, críticas ótimas, e de repente as pessoas ficarem falando do trabalho por outro caminho. Isso confunde o público. Mas não vou gastar minha energia. Procuro pensar em fazer música."

Sonoridade. A energia tem sido direcionada para traduzir a rica sonoridade do CD no palco, onde Thaís, jeito de menina sapeca e voz com personalidade, é acompanhada de Frado e Alexandre Prol (violões/guitarras), Chiquinho Chagas (teclados e acordeom), Thiago Silva (bateria/percussão), Lancaster Lopes (baixo) e Marlon Sette (trombone).

ôÔÔôôÔôÔ tem muito de sua vivência carioca. Ela veio para a cidade há oito anos, com 23, sem conhecer ninguém. Queria continuar fazendo teatro e buscando seu som, ser mais livre. Fez seus CDs com calma, "nenhum compromisso", compondo sozinha, pelas madrugadas, e com parceiros (Kassin/Ana Carolina, Moreno Veloso).

De estandarte nas mãos, cravado na Praia do Arpoador na capa do CD, ela entra no universo do samba do Rio já na abertura, a faixa-título, na qual promete acabar com o desfile da escola de samba com sua falta de jeito.

"Falo do samba e canto com esse olhar distante, estrangeiro, como uma mistura que não se mistura."

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