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As guerreiras de Zack Snyder

Diretor de 300 fala das atrizes de Sucker Punch e do visual de seu novo filme

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

Pode ter sido mera coincidência, mas a entrevista com Zack Snyder, diretor de Sucker Punch, que estreou na sexta-feira, foi feita logo após o encontro do repórter com Rodrigo Santoro, que faz uma das vozes de Rio, a nova animação de Carlos Saldanha. Rio teve sua pré-estreia internacional justamente no Rio, na semana passada. Snyder estava em Los Angeles. Santoro fez 300 com ele. O astro brasileiro vive dizendo que o diretor é o homem que mais entende de quadrinhos, no mundo. Agora mesmo, Snyder trabalha na adaptação de Superman - mas a assessora, que coloca o cineasta na linha, anuncia que o assunto está proibido. Rodrigo, Superman, tudo isso entra na conversa sobre Sucker Punch, que não é uma adaptação (como 300, de Frank Millar), mas um roteiro original que parece súmula de um milhão de comics.

Snyder desconversa. "Rodrigo é muito simpático, mas esse universo dos quadrinhos tem muita gente mais informada e fanática do que eu. O que não me impediu de tecer esse roteiro original que incorpora influências de muitas histórias que li e vi." E como surgiu o roteiro? "A personagem Baby Doll, origem de tudo, me persegue há dez anos, ou mais. Sempre quis fazer um filme sobre quanta dor e mágoa uma mente jovem pode aguentar? Mais do que isso - sempre me indaguei como a mente humana consegue fugir quando o corpo não aguenta mais? Sucker Punch surgiu para celebrar a imaginação como força vital. Mas há um limite tênue. A humanidade não teria avançado sem os visionários que realizaram seus sonhos. Mas os sonhos podem virar escapismo e produzir alienação. É muito delicado."

A garota é enviada para um instituto psiquiátrico, que vira um bordel. Com as amigas, ela supera uma série de provas. Trata-se de uma série? Em algum momento voltaremos ao real? "O que é real? Não depende de mim que vire uma série ou não, mas sem dúvida existem opções para o desenvolvimento da história e dos personagens." Zack Snyder cria muitas cenas espetaculares de ação, mas, como em 300, o que parece interessá-lo mais é o visual. O que ele pensa disso? "Havia, desde o começo, a intenção declarada de tratar os diferentes blocos de ação segundo estilos diferentes. O cinema que me interessa me força a ir ao limite da imaginação. Quando imagino alguma coisa não sossego se não encontrar os meios para torná-la palpável na tela."

O filme possui vibrantes duelos de sabre. Snyder conhece os filmes de samurais de Akira Kurosawa? "Você está brincando comigo? Os samurais de Kurosawa são os melhores do mundo. Posso apenas sonhar com as cenas magníficas que ele criou." O repórter enuncia suas favoritas - os duelos de sabre de Yojimbo, que inspirou Por Um Punhado de Dólares, de Sergio Leone; a batalha sob a chuva de Os Sete Samurais, que ganhou remake em Hollywood e virou o western Sete Homens e Um Destino, de John Sturges. "Não sei se posso dizer se são as melhores, mas concordo que são extraordinárias. Num grande como Kurosawa, é difícil escolher o que é melhor."

E o seu Superman? O repórter pergunta se pode perguntar alguma coisa sobre o novo Zack Snyder? E emenda com outra pergunta sobre o Superman de Christopher Reeve, no filme de aventuras de Richard Donner, de 1981. Snyder gosta dele? Ele responde - "não". No dia seguinte chega um e-mail com a retificação do diretor. O "não" referia-se a perguntas sobre o filme, mas como ele ficou com a impressão de que o repórter entendera que não, ele não gosta do filme de Donner, Snyder esclarece. Ele gosta muito de Superman - O Filme, mas realiza sua adaptação fugindo a toda referência. "É como se não houvesse Superman antes e estivesse começando do zero. Podemos respeitar o legado, mas não nos tornar escravos de outros filmes." Isso, lógico, torna seu projeto mais atraente. Henry Cavill será o intérprete do homem de aço e o roteiro foi desenvolvido em parceria com David Goyer, que também escreveu os filmes de Christopher Nolan sobre Batman.

De volta a Sucker Punch, o áudio soma-se ao visual por meio de uma trilha que ressuscita hits de grupos como Eurythmics (Sweet Dreams Are Made of This), The Smiths (Asleep), Beatles (Tomorrow Never Know) e Queen (I Want It All / We Will Rock You). "Precisava de uma trilha que também atuasse no imaginário do espectador." As duas primeiras são cantadas pela atriz Emily Browning, que faz Baby Doll, e o detalhe é que ela carrega a espada de samurai numa mão e a pistola na outra. Snyder explica como escolheu suas mulheres - não apenas Emily, mas também Carla Gugino e Vanessa Hudgens, as mais conhecidas, Jena Malone e Abbie Cornish. "Elas tinham de ser belas, sexys e possuir algo mais." O quê? "Sucker Punch é um filme que exige muito, fisicamente, do elenco. Não apenas as garotas, mas elas principalmente, todo mundo passou por um duro treinamento para as cenas de ação. Mas eu também tinha de trabalhar a densidade emocional. Cada garota, não apenas Baby Doll, tem seu drama particular. Sem psicologizar, era preciso criar as condições para que a emoção se liberasse."

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